Com direção de Juliana Tizatto e elenco local, a obra concorre na Première Brasil em outubro, reforçando o protagonismo da Região Norte no cinema nacional
O cinema feito no Amazonas alcança mais um marco de projeção nacional. O curta-metragem "3x4", dirigido pela cineasta amazonense Juliana Tizatto, foi selecionado para integrar a Première Brasil - Competição Curtas-Metragens do Festival do Rio, um dos mais prestigiados eventos do setor no país. A produção é uma das 11 escolhidas em todo o território nacional para a mostra, que ocorre entre 1º e 11 de outubro na capital fluminense.
Antes de desembarcar no Rio de Janeiro, contudo, o filme fará sua grande estreia "em casa". A exibição inaugural está agendada para o 8º Festival de Cinema da Amazônia – Olhar do Norte, realizado de 23 a 27 de setembro, no Teatro Amazonas, com entrada gratuita.
Representatividade e narrativa local
Ambientado no verão amazonense, com locações em Manaus e Presidente Figueiredo, a trama acompanha duas colegas de trabalho que compartilham um espaço reduzido de expediente, cenário onde emergem vivências pessoais e pequenos devaneios de escapismo.
Estreia autoral de Tizatto, a obra conta com as atrizes Andira Angeli e Isabela Catão no elenco principal. O projeto foi viabilizado por meio do Edital "Curta para Mulheres", da Secretaria do Audiovisual (SAV) do Ministério da Cultura (MinC), voltado a impulsionar realizadoras estreantes.
O incentivo permitiu a estruturação de uma equipe composta por mais de 30 profissionais, majoritariamente locais. Além da direção de Tizatto, o curta traz Thiago Looney na produção, assistência de direção e montagem, Carlos Barbosa e Clemilson Farias na produção, Valentina Ricardo na direção de fotografia, Heverson Batata como técnico de som e Francisco Ricardo na direção de arte.
Descentralização e valorização do audiovisual no Norte
A presença da equipe local no projeto reflete um debate central sobre a valorização do setor produtivo da Região Norte. Para a diretora, políticas públicas efetivas são cruciais para dar vazão à pluralidade de histórias amazonenses, embora o cenário ainda exija avanços.
“Nossa região tem muitas nuances culturais e as possibilidades de representação são infinitas. As políticas públicas voltadas para a cultura têm mostrado resultados positivos quanto a essa diversidade de narrativas, mas ainda é preciso melhorar. Podemos avançar nessa pauta com uma distribuição de recursos menos concentrada entre regiões", destaca Juliana Tizatto.
O produtor Thiago Looney, que também é fundador da produtora Zenistesia Filmes e acumula mais de uma década de atuação no mercado audiovisual do Norte, reforça a urgência de ocupar espaços de liderança na indústria.
"Em muitos casos, os profissionais locais ficam em segundo plano na hora de fazer os desenhos de produção. A lógica de alguns é contratar um chefe de equipe de fora, normalmente do eixo Sul-Sudeste. Para mim não faz sentido, já que temos profissionais excelentes para ocupar cargos de chefia em todos os departamentos", defende Looney.
Com a bagagem de quem estreia no formato de ficção autoral, a cineasta celebra o ciclo de exibições que se inicia. "Ficamos muito felizes de chegar nessa etapa em que o filme dialoga com o público. Nossa estreia é 'em casa', no Festival Olhar do Norte, e no próximo mês seguimos para o Festival do Rio", comemora a diretora.
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