Manaus/AM - Um levantamento do Estudo Carga Global de Doenças, publicado na revista científica The Lancet, revelou que a expectativa de vida no Amazonas caiu 5,84 anos durante a pandemia de Covid-19. Enquanto o Brasil registrou queda de 17,6%, o estado registrou a segunda maior redução do país, ficando atrás apenas de Rondônia (6,01 anos).
O impacto foi tão severo que colocou o Amazonas em destaque negativo no cenário nacional. A alta mortalidade registrada, especialmente durante os colapsos hospitalares em Manaus, refletiu diretamente na expectativa de vida da população. Estados da região Norte foram os mais afetados, com reduções expressivas também em Roraima (5,67 anos). Já no Nordeste, os recuos foram menores, como no Maranhão (1,86 anos), Alagoas (2,01 anos) e Rio Grande do Norte (2,11 anos).

O estudo aponta que fatores como a falta de coordenação nacional, o atraso na compra de vacinas e a promoção de medicamentos sem eficácia comprovada contribuíram para o agravamento da crise. Em contrapartida, iniciativas regionais, como o consórcio de governadores do Nordeste com comitê científico independente, ajudaram a reduzir os impactos.
Apesar da queda durante a pandemia, o Brasil vinha apresentando avanços em saúde pública antes da crise: entre 1990 e 2023, a expectativa de vida nacional aumentou 7,18 anos, a mortalidade padronizada por idade caiu 34,5% e os anos saudáveis perdidos por doenças recuaram 29,5%.
Esse resultado evidencia como o Amazonas foi um dos estados mais atingidos e reforça a necessidade de políticas públicas baseadas em ciência para proteger vidas em futuras emergências sanitárias.




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