Manaus/AM - O mais recente relatório do Atlas da Violência, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), expôs uma realidade de extremos no Amazonas. Embora o estado tenha apresentado uma redução em números absolutos na criminalidade urbana, ele se consolidou como a 6ª unidade federativa mais violenta do país e a 2ª da Região Norte, registrando uma taxa de 32,2 homicídios por 100 mil habitantes — índice bem superior à média nacional de 20,1.
O dado mais alarmante e crítico do documento revela que o Amazonas assumiu o 1º lugar no ranking nacional de violência contra povos originários. Em apenas um ano, os assassinatos de indígenas no estado duplicaram, saltando de 36 para 73 casos. Essa escalada fez a taxa de letalidade nessa população disparar 123,4%, atingindo a marca de 47,8 mortes por 100 mil indígenas.
Segundo os pesquisadores, essa crise humanitária é reflexo direto da interiorização do crime organizado. Grandes facções criminosas têm migrado para o interior da Amazônia, invadindo territórios tradicionais para dominar rotas internacionais de narcotráfico e controlar economias ilegais, como o garimpo e o desmatamento, o que intensifica os conflitos agrários.
A violência também mostra sua força no interior do estado. O município de Barcelos (a 399 km de Manaus) despontou como um dos pontos mais letais do mapa, registrando uma taxa estatística extrema de 171,8 mortes por 100 mil habitantes, impulsionada por disputas locais.
Por outro lado, o Atlas trouxe um alento para as principais zonas urbanas: o Amazonas conseguiu reduzir o cômputo geral da criminalidade, registrando 229 assassinatos a menos em comparação com o período anterior. Especialistas apontam que, embora o policiamento nas cidades tenha surtido efeito, o grande desafio do estado agora se deslocou para as florestas e fronteiras, onde a ausência do poder público tem cobrado um preço alto das populações tradicionais.



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