O escritor manauara é o primeiro amazonense a integrar o quadro de "imortais" da instituição; cerimônia ocorreu no Rio de Janeiro nesta sexta-feira (24).
MAnaus/AM - A Academia Brasileira de Letras (ABL) viveu uma noite histórica nesta sexta-feira (24). No Petit Trianon, centro do Rio, o romancista Milton Hatoum tomou posse oficialmente como o novo ocupante da Cadeira 6. O evento marca um marco regional: aos 74 anos, Hatoum torna-se o primeiro autor nascido no Amazonas a ingressar na prestigiada instituição.
Ele sucede o jornalista Cícero Sandroni, falecido em meados do ano passado. Eleito em agosto de 2025, o autor de Dois Irmãos foi recebido pela escritora Ana Maria Machado, que destacou a atemporalidade de sua prosa. Em seu discurso de saudação, Ana Maria ressaltou que Hatoum "destoa" da preferência contemporânea por fenômenos passageiros ao mergulhar em "águas de permanência".
Durante seu pronunciamento, o novo imortal prestou homenagens ao seu antecessor direto e a figuras ilustres que já ocuparam o mesmo posto, como o jurista Raymundo Faoro e o intelectual Barbosa Lima Sobrinho. Em um gesto de reverência crítica, Hatoum também citou Graciliano Ramos e a obra Vidas Secas , lembrando o legado de grandes autores que, embora fundamentais para o Brasil, não passaram pela ABL.
Nascido em Manaus em 1952, Hatoum construiu uma carreira que une rigor acadêmico e sucesso de público. Sua formação é diversificada:
Arquitetura: Formado pela USP.
Literatura: Pós-graduado em Paris e ex-professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM).
Experiência Internacional: Atuou como professor visitante em instituições renomadas como a Sorbonne (França) e Berkeley (EUA).
Com mais de 500 mil exemplares vendidos, Hatoum é um dos autores brasileiros mais traduzidos da atualidade. Sua trilogia de maior sucesso — Relato de um Certo Oriente , Dois Irmãos e Cinzas do Norte — rendeu-lhe três prêmios Jabuti. A relevância de sua obra também atravessou plataformas, com a adaptação de Dois Irmãos para a televisão.
Agora, como parte do seleto grupo de 40 membros da Academia fundada por Machado de Assis, o escritor reforça a presença da literatura nortista no coração da cultura nacional, consolidando um legado que une as margens dos rios amazônicos ao cenário literário global.



