Manaus/AM - Indígenas, moradores de assentamentos e brigadistas especializados atuam no combate aos incêndios florestais no Amazonas, enfrentando altas temperaturas, fumaça intensa e dificuldades de acesso em áreas remotas. As equipes do Prevfogo, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), utilizam técnicas e equipamentos específicos para conter as chamas e proteger a floresta e as comunidades.
O trabalho combina treinamento técnico com o conhecimento dos próprios territórios. Integrantes que vivem nas regiões atendidas conhecem caminhos, rios, tipos de vegetação e características ambientais que ajudam a identificar riscos e orientar as operações.
Equipamentos e estratégias contra o fogo

Antes de iniciar o combate, os brigadistas avaliam fatores como direção dos ventos, tipo de vegetação, disponibilidade de água e condições do terreno. A análise permite escolher a estratégia mais adequada para reduzir os riscos e impedir o avanço das chamas.
Entre os equipamentos utilizados estão sopradores motorizados, abafadores, bombas costais, enxadas, pás e rastelos. Os abafadores ajudam a interromper o avanço de chamas rasteiras, enquanto as bombas costais permitem aplicar água em focos menores e em locais de difícil acesso.
As ferramentas manuais são usadas na retirada de materiais combustíveis e na abertura de aceiros e linhas de controle, que ajudam a conter a propagação do fogo. Os sopradores também podem auxiliar em determinadas operações, desde que as condições permitam seu uso seguro.
Após controlar as chamas, as equipes realizam o rescaldo, etapa destinada a identificar e eliminar pontos quentes que poderiam provocar novos focos de incêndio.
Conhecimento local reforça as operações

A participação de indígenas e moradores de assentamentos da reforma agrária é uma das características do Programa de Brigadas Federais do Ibama. Além de receberem capacitação, esses profissionais contribuem com conhecimentos adquiridos ao longo da convivência com a floresta.
A presença de brigadistas locais também pode facilitar a identificação de áreas ameaçadas, a orientação de moradores e a resposta a ocorrências em regiões de acesso limitado.
O trabalho integra as ações de Manejo Integrado do Fogo, que incluem prevenção, monitoramento, educação ambiental e combate aos incêndios, considerando as características de cada território.
Amazonas mobiliza centenas de profissionais
Segundo o Boletim Diário de Acompanhamento nº 005-AM, de 14 de outubro de 2026, as operações do Prevfogo/Ibama reuniam 238 profissionais no Amazonas. Desse total, 104 atuavam na Operação Sul do Amazonas e 134 na Operação Amazonas.
O boletim também registrava outros 92 profissionais do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) na mobilização federal, somando 330 integrantes nas ações de prevenção e combate.
As operações contam com apoio terrestre, fluvial e aéreo para alcançar áreas remotas. As aeronaves podem auxiliar no reconhecimento das regiões atingidas, no transporte de equipes e equipamentos e no lançamento de água em pontos estratégicos. Mesmo com esse suporte, a atuação em solo é fundamental para conter o fogo e realizar o rescaldo.
Proteção ambiental depende de quem está na linha de frente
O combate aos incêndios florestais exige equipamentos, treinamento, logística e monitoramento, mas também depende dos profissionais que atuam diretamente nas áreas ameaçadas.
No Amazonas, brigadistas indígenas, assentados e outros moradores participam desse esforço para proteger a biodiversidade e reduzir os impactos dos incêndios sobre as comunidades. A combinação entre capacitação e conhecimento territorial fortalece a resposta às queimadas e destaca a importância de valorizar quem trabalha na proteção da floresta.
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