Manaus/AM - Novos desdobramentos surgem no caso da morte do menino Benício Xavier, ocorrida no Hospital Santa Júlia, em novembro de 2025. Em entrevista ao Portal do Holanda, o advogado de defesa da médica Juliana Brasil, Dr. Sérgio Figueiredo, enfatizou que a profissional prestou atendimento adequado e que o erro fatal teria decorrido de uma execução técnica equivocada, além de falhas graves no sistema digital da unidade.
A tese defensiva sustenta que a Dra. Juliana prescreveu adrenalina para inalação, mas uma falha crítica no software do hospital, TASY, alterou a via de administração para intravenosa. Figueiredo esclarece que a polêmica frase "eu errei", dita pela médica no momento do incidente e que foi amplamente divulgada pelos veículos de comunicação, foi dita não pela falta de conhecimento, mas por desconhecer que o sistema estava falhando. “Ela fala ‘Eu errei’ porque ela ainda não tinha tomado conhecimento de tudo o que aconteceu antes”, explicou o advogado, reiterando que o sistema do hospital é programado de forma a não aceitar a via inalatória para certos fármacos, gerando confusão no prontuário.
Um ponto fundamental apresentado por Sérgio Figueiredo é que a técnica de enfermagem responsável pela aplicação, Raiza Bentes, teria agido com imprudência ao ignorar alertas de outros colegas. Segundo o advogado, funcionários da farmácia orientaram a profissional sobre a forma correta de uso, mas ela decidiu aplicar o medicamento diretamente na veia, sem consultar a médica. “Existiam dúvidas se ela tinha na cabeça... competia naquele momento a técnica de enfermagem caminhar até o consultório e perguntar: ‘Doutora, o que que eu faço?’ Ela não fez isso”, pontuou o defensor, destacando a quebra de protocolo por parte da enfermagem.
A defesa também contesta a relação de causalidade entre o atendimento da Dra. Juliana e o óbito, uma vez que Benício sobreviveu por 14 horas após entrar no hospital e ser atendido por ela, e chegou a até mesmo apresentar melhora significativa. Citando o depoimento de outro médico que assumiu o caso, o Dr. Figueiredo afirmou que "a criança foi entregue, orientada, falando, estabilizada. O próprio médico que recebe, médico da UTI, ele declara isso na defesa, isentando a Juliana de qualquer responsabilidade até aquele momento". Para os advogados, a fatalidade ocorreu devido a intercorrências posteriores, já sob os cuidados de outra equipe.
Entrada da UTI
Ao analisar o período em que a criança permaneceu na UTI, a defesa aponta falhas graves na atuação de outros profissionais, incluindo tentativas malsucedidas de intubação que teriam se estendido por cerca de uma hora. Segundo o advogado, a médica responsável naquele momento não possuía a experiência necessária para realizar o procedimento em pacientes pediátricos. “A médica Alexandra não tinha experiência para entubar a criança. Prova disso é que ela tentou por três vezes, durante mais de quarenta minutos, sem sucesso. Já outra médica chegou e, em menos de cinquenta segundos, conseguiu realizar a intubação”, afirmou Figueiredo, ao atribuir à imperícia na UTI um fator determinante para a queda de oxigenação.
A defesa da médica Juliana Brasil acrescenta ainda que, enquanto estava na UTI e já em estado grave, Benício teria recebido 71 ampolas de adrenalina, o que também levanta questionamentos sobre a condução do atendimento naquele momento.
O laudo cadavérico, liberado nesta quarta-feira (25), reforça a tese de que problemas preexistentes e a conduta na UTI foram decisivos. O documento revelou que Benício sofria de uma cardiopatia crônica, condição que exigia cuidados específicos não observados no momento crítico da internação. Sérgio Figueiredo ressaltou que o laudo deu negativo para qualquer substância que pudesse ter causado a morte de forma aguda no momento da primeira medicação: “O laudo cadavérico deu negativo a qualquer medicamento prejudicado... Não tem vestígio nenhum de adrenalina. Então qual é a culpa da Juliana nessa história?”
Diante do que considera uma investigação baseada em informações seletivas e prejudiciais à imagem de Juliana, a defesa solicitou formalmente o afastamento do delegado Marcelo Martins, responsável pelo caso, alegando quebra de sigilo funcional e manipulação da opinião pública. O Dr. Sérgio Figueiredo acusa a autoridade de promover um "linchamento público" e ignorar provas favoráveis à médica, como os vídeos que comprovam o erro do sistema.


