Manaus/AM - Diplomata de carreira, ex-prefeito de Manaus por três mandatos, ex-senador e ex-deputado federal, Arthur Virgílio Neto concedeu entrevista ao Portal da Holanda nesta semana para falar sobre sua pré-candidatura a deputado federal pelo Amazonas e sua trajetória de quase cinco décadas na vida pública.
Convidado a integrar novamente o MDB — partido do qual foi um dos fundadores, ainda durante a resistência à ditadura militar —, Arthur Virgílio afirmou que vai disputar a pré-candidatura na convenção que ocorre neste sábado (25), unindo MDB, PSB e Republicanos. "Espero que saia dali uma unidade enorme. Companheiro não pode conspirar contra companheiro", declarou.
"É a vocação"
Ao ser questionado sobre o que o mantém motivado após 48 anos de vida pública, o pré-candidato foi direto: "É a vocação. Eu nasci para fazer isso." Ele relembrou que, mesmo tendo tido oportunidades para seguir carreira diplomática fora do Brasil ou disputar cargos em outros estados — incluindo convites para concorrer em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Brasília —, optou sempre por priorizar o Amazonas.
"Eu deixei tudo para cuidar da minha terra, cuidar do meu povo, cuidar da minha gente. Por isso que a gente fala aqui em Manaus é a mãe dos deuses", afirmou, referindo-se ao significado etimológico do nome da capital amazonense.
O momento mais desafiador da carreira
Questionado sobre a fase mais difícil de sua trajetória política, Arthur Virgílio apontou a disputa eleitoral de 1988 contra Gilberto Mestrinho, quando praticamente nenhuma previsão indicava sua vitória — nem mesmo ele próprio acreditava no resultado. "Ninguém acreditava que eu ganharia a eleição. Ele próprio não acreditava", disse, lembrando que a vitória sobre um amigo próximo de seu pai foi motivo de sentimentos contraditórios.
Sobre eventuais momentos de desistência da política, o pré-candidato negou categoricamente, citando uma lição que teria recebido do ex-deputado Ulysses Guimarães: "Para quem tem vocação, só tem porta de entrada. Não tem porta de saída."
Defesa da Zona Franca de Manaus como prioridade
Ao falar sobre as motivações para retornar à Câmara Federal, Arthur Virgílio destacou a defesa da Zona Franca de Manaus, dos empregos gerados pelo modelo e da floresta amazônica como eixos centrais de um eventual novo mandato. Ele citou ainda uma conversa recente com o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, propondo o fim de rivalidades históricas entre os estados em favor de parcerias, como no setor de bioindustrialização.
"Essa rixa é uma coisa assim, aqui para nós é meio tola, meio primária. A gente tem que ser mais sofisticado quando se trata de fazer coisas boas para nossa gente", afirmou.
O pré-candidato também disse dispor de conhecimento técnico para atuar em situações de tramitação legislativa desfavoráveis aos interesses do Amazonas, caso sejam necessárias articulações para evitar prejuízos ao estado no Congresso.
Ao encerrar a entrevista, deixou uma mensagem aos eleitores amazonenses sobre a importância do voto consciente: "É preciso saber votar. A democracia se afirma pelo voto." Segundo ele, decisões eleitorais mal informadas trazem consequências coletivas, enquanto escolhas bem fundamentadas beneficiam "a família, os amigos, os parentes, os vizinhos e os conhecidos" do eleitor.



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