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Defensoria investiga superlotação e cobra dados de pacientes em prontos-socorros

Defensoria investiga superlotação e cobra dados de pacientes em prontos-socorros
Reunião DPE-AM - Foto: Divulgação

A Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM) deu prazo de até dez dias para prontos-socorros de Manaus apresentarem dados sobre o perfil dos pacientes atendidos entre janeiro e setembro deste ano. A medida faz parte da investigação sobre a retenção de macas do SAMU, problema que contribuiu para 2.124 atendimentos não realizados no período.

A cobrança ocorreu durante uma reunião realizada nesta quinta-feira (1º), na sede da Defensoria, no bairro Aleixo, com representantes da Secretaria de Estado de Saúde (SES), dos hospitais e prontos-socorros Platão Araújo, João Lúcio e 28 de Agosto, além da UPA Campos Sales.

Os dados solicitados deverão indicar a gravidade dos casos, as doenças que mais levaram à internação e a proporção de pacientes que chegaram a ser internados após o atendimento. A intenção é verificar se a demanda recebida pelos prontos-socorros corresponde ao nível de complexidade dessas unidades.

A Defensoria também estabeleceu prazo de 24 horas para que os estabelecimentos informem quantos pacientes com câncer aguardam transferência para unidades especializadas.

Segundo o defensor público Arlindo Gonçalves, pacientes oncológicos que necessitam de tratamento especializado não devem permanecer em unidades que não oferecem esse tipo de atendimento.

Durante a reunião, gestores apontaram que parte da demanda dos prontos-socorros poderia ser direcionada para UPAs e SPAs. A Defensoria, porém, também questiona a capacidade dessas unidades para absorver os casos considerados menos graves.

Um dos exemplos apresentados foi o atendimento de vítimas de acidentes. Enquanto traumas graves exigem cirurgia e estrutura hospitalar, casos de menor complexidade poderiam ser resolvidos em unidades de atendimento intermediário. O problema, segundo o defensor, é que algumas UPAs não contam com ortopedistas ou equipamentos como aparelhos de raio-X.

As informações apresentadas preliminarmente também indicam que a retenção de macas do SAMU é maior durante a noite e nos fins de semana, períodos em que algumas UPAs e SPAs deixam de funcionar e há menos alternativas para encaminhamento dos pacientes.

Leitos ocupados

A ocupação prolongada de leitos também entrou na discussão. Segundo gestores, apesar de haver leitos disponíveis para atender à demanda, alguns permanecem ocupados por pacientes que já receberam alta médica, mas não podem retornar para casa por falta de condições familiares ou sociais.

Um dos casos relatados envolve um paciente que permanece internado há cerca de um ano mesmo após receber alta, situação classificada como alta social.

Com os dados solicitados, a Defensoria pretende confrontar as justificativas apresentadas pelos gestores para a superlotação e verificar quantos pacientes que chegam aos prontos-socorros realmente necessitam de internação.

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