Manaus/AM - A Comissão de Familiares dos Policiais Militares Custodiados divulgou, neste sábado (16), uma carta aberta direcionada a toda a tropa da Polícia Militar do Amazonas (PMAM). No manifesto, o grupo expressa um forte apelo por apoio institucional e denuncia o sentimento de abandono e o medo constante após a transferência de policiais para a nova Unidade Prisional da Polícia Militar do Estado do Amazonas (UPPM/AM).
A nova estrutura foi instalada no antigo prédio do Centro Feminino de Educação e Capacitação (CEFEC), localizado na rodovia BR-174. O local fica na área extramuros do Complexo Penitenciário do COMPAJ, o que gerou forte reação das famílias. No documento, as esposas, mães e filhos dos detentos afirmam que os agentes — muitos deles presos provisórios que ainda aguardam julgamento definitivo — estão separados de criminosos de alta periculosidade e integrantes de facções apenas pelo que denominaram de “muro da morte”.
"Homens que dedicaram suas vidas à segurança pública agora vivem sob risco permanente, longe da proteção mínima que deveria ser garantida pela própria instituição", diz um trecho da carta, que também cobra a assinatura de um abaixo-assinado pela tropa em busca de apoio.
Além do temor pela integridade física dos policiais, as famílias criticam severamente a condução do processo por parte do comando da corporação e de representantes políticos da categoria. De acordo com o manifesto, há uma "ausência de diálogo honesto" e falta de informações oficiais sobre segurança e rotina de visitas, fazendo com que parentes dependam de boatos e redes sociais para obter notícias.
A comissão argumenta que a permanência de policiais militares em um complexo penitenciário comum fere a Constituição e os regulamentos militares, os quais determinam o cumprimento de custódia em unidade própria e isolada da corporação. "Nós não pedimos privilégios. Pedimos humanidade, legalidade e proteção", enfatiza o documento.
A publicação da carta aberta ocorre em meio a um clima de intensa tensão. Recentemente, advogados e familiares já vinham contestando a mudança de endereço e os próprios militares presos chegaram a se recusar a deixar a antiga unidade, localizada no bairro Monte das Oliveiras, exigindo a presença de um negociador antes de serem transferidos.
Diante do impasse, o Ministério Público do Amazonas (MPAM) manifestou-se oficialmente para esclarecer que a transferência possui natureza estritamente administrativa e visa a desativação do antigo prédio. Segundo o órgão, a mudança decorre de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP), a PMAM e a 60ª Promotoria de Justiça de Controle Externo da Atividade Policial e Execução de Medidas Prisionais (PROCEAPSP).
O MPAM informou que a reestruturação do sistema de custódia militar tornou-se urgente após um episódio em que 23 presos saíram da antiga unidade e passaram à condição de foragidos, evidenciando a fragilidade da fiscalização anterior. O Ministério Público ressaltou que segue acompanhando todo o procedimento para garantir que as garantias legais e a segurança na nova estrutura sejam integralmente respeitadas.




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