Manaus/AM – A transferência de 70 policiais militares para a nova Unidade Prisional da Polícia Militar (UPPM/AM), localizada na BR-174, está causando grande confusão na manhã desta terça-feira (12), em frente ao Núcleo Prisional da PM, no bairro Monte das Oliveiras. Familiares não aceitam que os presos sejam removidos da área urbana da cidade e levados para a mesma região onde já funcionam presídios comuns, masculino e feminino, na estrada.
“O policial e o bombeiro militar são categorias distintas, com lei específica. Eles precisam de locais adequados para cumprir pena. Não se pode colocá-los no maior presídio do estado, junto a criminosos comuns. Isso não é apenas uma questão de segurança, mas também de convivência familiar. Visitas simultâneas de familiares de policiais e de presos comuns podem gerar atritos e colocar vidas em risco”, afirmou o presidente da Associação de Praças dos Policiais e Forças Militares do Amazonas, Gutemberg Silva.

Ele acrescentou que os advogados dos presos foram impedidos de ter contato com os internos durante a operação. “Eu respeito uma decisão judicial e sempre respeitarei, mas é preciso dar acesso aos defensores.

Nossos advogados estão impedidos de entrar, assim como nossa liderança da Associação dos Defensores de Agente. Isso é uma violação de direitos, pois nossos associados estão na condição de presos e precisam de acompanhamento.”

Gutemberg também alegou falha na comunicação por parte dos órgãos responsáveis, que não teriam informado sobre a transferência. “Não é necessário informar antecipadamente, mas no momento da decisão e da chegada dos veículos, os oficiais deveriam comunicar as representações. Assim, poderíamos trazer nossa assessoria técnica para acompanhar o procedimento. É fundamental que os internos saibam o que está acontecendo. Muitas vezes, por serem militares, recebem apenas uma ordem sem explicação. Isso é lamentável e desrespeitoso”, ressaltou.

O presidente criticou ainda as condições do núcleo prisional atual, mas defendeu que existem alternativas à transferência para a BR-174, devido ao elevado risco para os agentes presos. “O núcleo prisional precisa de melhores acomodações. O Estado tem condições de transformar o espaço em uma unidade digna para policiais militares. Ainda assim, é melhor do que estar no presídio junto a mais de mil presos.
Em caso de rebelião, os primeiros a morrer seriam os policiais. Isso é uma irresponsabilidade. Poderíamos organizar batalhões da Polícia Militar para receber provisoriamente esses internos, enquanto se reforma o núcleo prisional. Nos últimos anos, políticos presos ficaram em batalhões. Por que policiais não podem? É possível adaptar acomodações e transformar batalhões em unidades prisionais. O CPE, por exemplo, teria condições de atender essa demanda. Basta ter vontade política.”



