A Federação das Indústrias do Estado do Amazonas lança nesta quinta-feira, às 18h, na reunião de diretoria, na sede da entidade, na Avenida Joaquim Nabuco, 1919, Centro, o livro “Moysés Israel”, da jornalista e historiadora Etelvina Garcia. Em tons biográficos, o livro cobre a trajetória pessoal e empresarial do decano da Fieam, o empresário Moyses Benarros Israel.
Aos 90 anos, Moysés Israel relata no livro a trajetória da família e de suas atividades no segmento de exportação de castanha, borracha, juta, petróleo, madeira, entre outros produtos regionais que seguiam, principalmente para o mercado consumidor europeu.
Nascido em Manaus, em 10 de fevereiro de 1924, Moyses é filho do casal Salomon e Carlota Israel. Aos 34 anos, Salomon morreu de síncope cardíaca, em plena viagem de barco, o que fez a mãe decidir enterrar o marido na cidade paraense de Óbidos. Moysés tinha 10 anos de idade quando ficou órfão de pai. Foi quando a mãe, ele e as irmãs, Esther, Stela e Mery, foram morar com o tio, Isaac Sabbá.
Desde os 11 anos, Moysés trabalhou com Isaac e, aos 18 anos, o tio pediu que sua irmã Carlota emancipasse o filho para que se tornasse seu sócio na firma I. B. Sabbá & Cia, em 1942. Em 1943, a empresa era reconhecida como uma das maiores expressões da indústria no Amazonas no beneficiamento e exportação de castanha, borracha e madeira.
“Foi neste período que comecei a ir para Itacoatiara em navios e lá conheci pessoas que marcaram minha história, como a dona Ida Ramos, com quem eu tomava café todas as manhãs quando o navio aportava para ser carregado de castanhas”, lembra.
Devido a algumas crises sugiram novas oportunidades de negócios, como a instalação de uma refinaria em plena floresta amazônica. O título para instalação da Refinaria de Manaus foi concedido em 1953, autorização dada pelo Conselho Nacional de Petróleo. A companhia de Isaac se tornaria uma das seis empresas privadas a construir e explorar refinarias de petróleo no Brasil.
Moyses Israel assumiu a responsabilidade de fazer contato com bancos americanos para obter carta de crédito para efetivar as compras dos equipamentos da refinaria. “Como, ainda na casa dos 20 anos, eu dava conta de obrigações tão difíceis e de tamanha responsabilidade?”, se questiona hoje.
E o jovem empresário conseguiu o crédito para a Sweeco, empresa contratada para construir os equipamentos da refinaria, com o Chemical Bank, que por não ter agências no Brasil fez uma transação com o Bank of America que possuía filiais em São Paulo e no Rio de Janeiro, para dar início ao maior investimento de Isaac Sabbá no Amazonas.
“A carta de crédito do Banco da América à Sweeco, destinada à construção da refinaria, foi integralizada em 12 meses com recursos próprios da Companhia de Petróleo da Amazônia. As despesas gerais de compra de equipamentos auxiliares, transporte e montagem da refinaria em Manaus foram supridas por duas operações de financiamento autorizadas pelo Conselho Nacional de Petróleo: uma com a Spevea (66 milhões de cruzeiros) e a outra com o BNDE (70 milhões de cruzeiros), dando como garantia os equipamentos industriais do empreendimento”, conforme o livro de Etelvina Garcia.
Em tempos mais recentes, Moyses Israel fala dos investimentos realizados em prol da educação no município de Itacoatiara. A fazenda que abrigava mais de duas mil cabeças de gado PO (pura origem) se transformou em 3.700 lotes para a construção de 12 bairros populares com verbas própria das vendas de gado.
Os problemas de saques e roubos na fazenda resultaram nesta iniciativa de Moyses que beneficiou a população de Itacoatiara. Outro sonho realizado foi levar para o município a Universidade Federal do Amazonas. O empresário doou o terreno para a construção do Campos da Ufam, que foi o primeiro município a implantar escola superior, seguindo da vinda da Universidade do Estado do Amazonas, Centro de Educação Tecnológica do Amazonas e do Sistema FIEAM, com as escolas de educação básica do Serviço Social da Indústria e de educação profissional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial.
“Acompanhei o crescimento do conhecimento em Itacoatiara, essa cidade que poderia ser ainda melhor. Espero que a nova geração que se dedica ao estudo no interior do Estado passe a amar mais as pequenas cidades do Amazonas e utilize os conhecimentos adquiridos ali para desenvolver novos negócios e para contribuir com uma política mais justa”, disse Moyses.
Fartamente ilustrado com fotos, desenhos, recortes de jornais e fac-símiles de documentos importantes, o livro, de 186 páginas, é uma homenagem da Fieam aos 90 anos, completados este ano, do seu fundador: Moyses Israel ocupou o cargo de 1º vice-presidente da primeira diretoria aclamada em 3 de agosto de 1960, da qual o empresário Abrahão Sabbá era presidente. Desde então, Israel esteve presente na maioria das composições de diretoria da Fieam, onde ocupa, atualmente, o cargo de presidente do Conselho Fiscal.

