A Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) decidiu afastar seus fiéis, pastores e líderes do movimento interdenominacional Legendários. A recomendação oficial foi aprovada por maioria na última terça-feira (28), durante o 41º Supremo Concílio da denominação, realizado em Manaus.
A restrição partiu de uma consulta formal feita por lideranças do Tocantins. No parecer da comissão teológica, validado pela assembleia, o grupo foi formalmente rotulado como incompatível com a confissão reformada.
Para a liderança presbiteriana, o Legendários utiliza abordagens "pragmáticas, neopentecostais e experienciais". Entre os pontos centrais de atrito listados pela igreja estão:
Submissão a retiros de isolamento extremo na natureza associados a testes pesados de estresse físico e emocional.
Práticas de sigilo rigoroso sobre as dinâmicas e mercantilização da experiência espiritual através de marketing.
Uso de apetrechos padronizados, como uniformes e juramentos, o que, segundo o documento, enfraquece a centralidade das Escrituras e gera cismas nas comunidades eclesiásticas locais.
Fundado em 2015 na Guatemala e com atuação no Brasil desde 2017, o Legendários promove imersões de autoconhecimento e liderança masculina voltadas a figuras de destaque corporativo e político.
Em nota oficial distribuída nesta quarta-feira (29), o grupo adotou tom conciliador. Os organizadores enfatizaram que a deliberação não se trata de uma excomunhão ou proibição imperativa, mas sim de uma diretriz interna para que cada conselho de igreja local pondere sobre a adesão dos membros.
"O movimento humanitário recebe essa publicação com serenidade e respeito, confiante de que ela contribuirá para esclarecer o tema", pontuou a nota, reiterando o foco em projetos de impacto comunitário que hoje somam mais de 220 mil participantes em 24 países.



Aviso