Manaus/AM - O cenário financeiro das famílias amazonenses permanece em alerta no início deste segundo trimestre de 2026. Segundo o levantamento mais recente do Mapa da Inadimplência da Serasa, o Amazonas ultrapassou a marca de 1,85 milhão de pessoas com restrições de crédito. O número revela que quase metade da população adulta do estado enfrenta dificuldades para honrar compromissos financeiros, consolidando um dos índices mais altos da região Norte.
O montante acumulado das dívidas reflete o peso do custo de vida na região. O valor médio devido por cada inadimplente no estado saltou para R$ 4.450,00. Entre os principais motivos para o "nome sujo", os cartões de crédito e as contas bancárias lideram o ranking, respondendo por cerca de 29% das pendências. No entanto, o setor de utilities (contas de luz e água) aparece logo atrás, com 22%, um indicativo de que as famílias estão priorizando itens de sobrevivência básica em detrimento de dívidas financeiras.
Perfil do Endividamento no Amazonas
O relatório detalha quem são os amazonenses que estão "no vermelho" e quais os principais fatores que impedem a quitação dos débitos:
Faixa Etária: Jovens adultos entre 26 e 40 anos formam o grupo mais afetado. Esta é a parcela da população que mais consome, mas que também sofre com a instabilidade do mercado de trabalho e a alta rotatividade de empregos informais.
Gênero: As mulheres representam 51% dos negativados, dado que reflete o papel feminino como principais gestoras do lar e responsáveis pelas contas de consumo básico.
Setores em Atraso: Além de bancos e serviços públicos, o varejo (18%) e o setor de serviços e telefonia completam a lista de maiores credores.
Custo Amazônico e Informalidade
Especialistas apontam que a inadimplência no estado é agravada por fatores regionais peculiares. A alta carga tributária sobre o frete eleva o preço de alimentos e insumos básicos, reduzindo a margem de renda disponível para o pagamento de empréstimos. Além disso, a taxa de informalidade no Amazonas, que permanece acima da média nacional, gera uma oscilação de renda que impede o planejamento financeiro de longo prazo.
Para quem busca sair dessa situação, a recomendação de órgãos de defesa do consumidor é o monitoramento constante do CPF e a busca por feirões de negociação. Com a Selic em patamares de ajuste, os juros rotativos do cartão de crédito continuam sendo o principal obstáculo, podendo dobrar o valor da dívida em poucos meses.



