Manaus/Am -Moradores do bairro Parque Mauá, localizado no entorno do Distrito Industrial de Manaus, enfrentam dias de angústia e problemas de saúde após o vazamento de gás tóxico ocorrido na empresa Innova. Residindo a cerca de 500 metros da fábrica, as famílias relatam sintomas graves como insuficiência respiratória, náuseas fortes e irritação severa nos olhos e na garganta, além do medo constante com a persistência do odor químico.
O incidente, que teve início no meio da tarde de quarta-feira, espalhou uma névoa densa pela região. Segundo os relatos, o cheiro forte — comparado ao de tinta e solventes como thinner — foi potencializado pelas condições climáticas e pela topografia do bairro.
Madrugadas de sufoco e sintomas agravados
Para quem vive na parte baixa do Parque Mauá, a situação tornou-se ainda mais crítica. O morador Antônio Paulo, que vive com a esposa e duas filhas, relata que todos na residência passaram mal. Ele, que já possuía histórico de problemas respiratórios e pneumonia, precisou buscar atendimento médico emergencial em um Serviço de Pronto Atendimento (SPA).
"Duas horas da manhã o cheiro estava insuportável dentro de casa. De madrugada piora porque não tem vento e o gás se alastra mais por causa da proximidade com o rio", explicou Antônio.
O morador também apontou um impasse nas orientações recebidas: "A Defesa Civil orientou abrir as janelas, mas se a gente abre, o gás entra; se fecha, o gás acumulado fica preso dentro de casa. O próprio ar-condicionado acaba puxando o ar contaminado para dentro". Antônio relembrou ainda que esta não é a primeira vez que a vizinhança sofre com a planta industrial, citando um episódio anterior de contaminação na época em que o local operava sob a bandeira da empresa Videolar.
Idosos e crianças entre as principais vítimas
O impacto do gás tóxico também afetou gravemente a rotina de Rosivete Marinho, de 63 anos, moradora da Rua Tiradentes. Ela relata que os sintomas começaram a se intensificar na noite do incidente e pioraram na manhã seguinte, forçando-a a passar o dia acamada.
"Quando abri a cozinha, já inalei tudo. Tive que fechar a casa inteira e passei a manhã deitada com muita falta de ar, enjoo e cansaço", disse Rosivete, ressaltando que uma de suas filhas e sua neta de colo também sofreram os efeitos da poluição. "Meu olho ardeu demais, parecia que tinham jogado pimenta. Fiquei com medo de ir ao pronto-socorro por causa da minha idade, mas passei muito mal."
A equipe de reportagem local constatou, em poucos minutos de permanência na área afetada, que o ar ainda causava forte irritação nas vias aéreas, confirmando que os resquícios do composto químico continuavam suspensos no ambiente. Embora os moradores relatem uma leve melhora nas últimas horas, o clima na comunidade do Parque Mauá permanece de alerta e cobrança por medidas definitivas de segurança por parte das autoridades e da empresa responsável.
Atendimento
Moradores da região que apresentarem sintomas contínuos como tontura, vômitos ou dificuldades respiratórias devem procurar a unidade de saúde ou pronto-socorro mais próximo imediatamente.



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