O nível do rio Negro, na Amazônia, chegou a 24,93 metros no dia 26 de agosto e segue em queda por causa da estiagem que atinge a região neste ano. O dado consta do 32º Boletim de Alerta Hidrológico do Serviço Geológico do Brasil (SGB), instituição federal sediada no Rio de Janeiro que monitora rios em todo o país e registrou chuvas abaixo da média histórica na bacia amazônica.
A Defesa Civil do Amazonas já decretou situação de emergência em 62 municípios por causa da seca. Se o rio Negro chegar a 17,7 metros, patamar ainda não atingido, passa a valer uma sobretaxa chamada "taxa da seca", cobrada por empresas de navegação para compensar o custo extra de transportar cargas em águas mais rasas. Duas companhias, MSC e CMA CGM, já anunciaram cobrança de até 1.900 dólares, cerca de R$ 9.800, por contêiner destinado a Manaus a partir da primeira semana de setembro.
A Associação Comercial do Amazonas contesta a cobrança antecipada e protocolou pedido junto à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) questionando se o anúncio seguiu os trâmites corretos, já que o limite que autorizaria a taxa ainda não foi alcançado. Rios como o Negro são a principal via de acesso a Manaus e a dezenas de comunidades ribeirinhas, e a navegação fica mais lenta e cara à medida que o volume de água cai.
A seca na Amazônia costuma se agravar entre setembro e novembro, no auge do período mais seco do ano na região, e afeta diretamente o abastecimento de alimentos, combustível e remédios em cidades que dependem quase exclusivamente do transporte fluvial, caso de Manaus. O SGB deve seguir publicando boletins semanais para acompanhar a evolução dos rios amazônicos nos próximos meses.



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