Manaus/AM - Os casos de sífilis congênita cresceram 37,5% em Manaus em 2026, na comparação com o ano passado. A média passou de 24 para 33 registros por mês, segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde. Diante do aumento, a Prefeitura de Manaus reforçou, durante a campanha Outubro Verde, a importância do pré-natal, da testagem e do tratamento precoce para evitar a transmissão da doença da gestante para o bebê.
A média mensal de notificações de sífilis em gestantes também aumentou. Em 2026, foram registrados, em média, 208 casos por mês, alta de 5,1% em relação aos 198 casos mensais contabilizados em 2025.
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum . Quando não tratada durante a gravidez, pode ser transmitida ao bebê ainda no útero e provocar complicações graves, como aborto, problemas no desenvolvimento, alterações neurológicas, surdez e cegueira.
Segundo Ylara Costa, técnica do Núcleo de Controle de HIV/Aids, Infecções Sexualmente Transmissíveis e Hepatites Virais da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), o diagnóstico e o início imediato do tratamento são fundamentais para reduzir os riscos.
A infecção tem cura, e o tratamento adequado durante a gestação pode prevenir a transmissão para a criança. No entanto, quanto mais tarde a terapia começa, maiores são as chances de complicações.
Gestantes devem fazer três testes durante a gravidez
Desde março de 2026, a Semsa orienta a realização de três testes para sífilis durante a gestação, um em cada trimestre. A recomendação municipal amplia o protocolo nacional, que prevê exames no primeiro e no terceiro trimestre.
A medida busca identificar infecções recentes, casos em que o teste inicial não detectou a bactéria e reinfecções provocadas pela exposição a parceiros sexuais que não receberam tratamento adequado.
O diagnóstico pode ser feito por teste rápido, disponível gratuitamente nas unidades de saúde da rede municipal. O exame utiliza uma gota de sangue e apresenta resultado, em média, em 30 minutos.
A orientação é que mulheres que pretendem engravidar ou já estão grávidas procurem uma unidade de saúde o quanto antes para iniciar o acompanhamento pré-natal. O tratamento deve ser realizado corretamente, com todas as doses prescritas.
Interrupção do tratamento aumenta riscos

Um dos desafios apontados pela Semsa é a interrupção do tratamento. Em determinados casos, são necessárias três aplicações de penicilina, com intervalos de sete dias. Quando a pessoa não retorna para completar as doses, o tratamento pode precisar ser reiniciado.
A melhora dos sintomas após a primeira aplicação também contribui para o abandono, embora o desaparecimento das manifestações não signifique que a infecção foi eliminada.
A secretaria recomenda ainda que pessoas com vida sexual ativa realizem testes para ISTs regularmente e utilizem preservativos para reduzir o risco de infecção. O tratamento das parcerias sexuais também é importante para evitar novas transmissões e reinfecções durante a gravidez.
Pré-natal ajuda a proteger mãe e bebê
A instrumentadora cirúrgica Sayuri Itou, de 23 anos, iniciou o pré-natal poucos dias depois de descobrir a primeira gravidez. Ela e o marido fizeram testes rápidos para ISTs no início do acompanhamento, e os resultados foram negativos.
A gestante realiza o pré-natal na Unidade de Saúde da Família Benedito Almeida, na zona sul de Manaus, e destaca a importância das orientações recebidas pelos profissionais.
A Prefeitura reforça que o acompanhamento durante toda a gravidez permite identificar precocemente infecções e iniciar o tratamento necessário, reduzindo os riscos para a mãe e a criança.
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