Manaus/AM - A ministra Nilsoni de Freitas, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou pedido de liberdade e manteve a prisão preventiva de Roosevelt Moraes Pires Júnior e Ramon Arturo Badillo Carrasco, investigados por suposta movimentação de recursos do Comando Vermelho no Amazonas. A decisão aponta risco concreto de continuidade das atividades investigadas e considera insuficientes as medidas alternativas.
Segundo a Polícia Federal, empresas atribuídas aos dois receberam mais de R$ 3,6 milhões de contas controladas por um dos líderes da facção entre janeiro e abril de 2025, e um dos investigados teria movimentado cerca de US$ 72 milhões em carteira de criptomoedas. As suspeitas envolvem câmbio sem autorização do Banco Central e possível lavagem de dinheiro por meio da Romar Ltda. (ARA Câmbio e Turismo) e da Bellagio Barbearia. As prisões foram decretadas pela 4ª Vara Federal do Amazonas em março de 2026 e cumpridas em abril; em junho, o Ministério Público Federal apresentou denúncia.
No habeas corpus, a defesa argumentou que as prisões deixaram de se justificar porque a investigação foi concluída e a denúncia não inclui tráfico ou associação para o tráfico, apenas crimes financeiros, organização criminosa e sonegação fiscal. Sustentou ainda que o bloqueio de contas, o sequestro de bens e as restrições sobre criptomoedas bastariam para evitar novas operações suspeitas.
Desembargadora convocada do TJDFT, a relatora entendeu que a habitualidade das movimentações, o volume dos valores e o funcionamento de uma das empresas na data das prisões indicam risco de continuidade. Ela destacou que a preventiva pode ser mantida mesmo com fatos anteriores, se houver motivos atuais. A ministra não analisou os argumentos sobre o fim da investigação e a denúncia, por não terem sido examinados antes pelas instâncias inferiores.
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