Manaus/AM - A Prefeitura de Manaus continua acompanhando os impactos à saúde da população causados pelo vazamento de gás estireno registrado no final da tarde de quarta-feira (15/07), em uma fábrica do Distrito Industrial. Até as 15h desta sexta-feira (16/07), a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) contabilizava 414 atendimentos a pessoas com sintomas relacionados à exposição ao produto químico.
Segundo o órgão, que integra o Gabinete de Crise formado pela gestão municipal para acompanhar o caso, os atendimentos se dividem entre 157 registros em prontos-socorros e unidades de pronto atendimento da rede pública, 200 na rede hospitalar particular e 57 em unidades municipais. O secretário de Saúde, Nagib Salem, afirmou que a rede permanece em alerta para acolher novos casos e direcionar situações mais graves às unidades de emergência.
A maior parte dos pacientes apresentou sintomas leves, como ardência nos olhos e desconforto respiratório, recebendo alta após atendimento. Duas pessoas continuam internadas, sendo uma em UTI. Um óbito foi registrado no período, mas ainda é investigado pelo Centro de Informações Estratégicas e Respostas em Vigilância em Saúde (Cievs) de Manaus para confirmar relação com o vazamento.
O balanço epidemiológico foi produzido pela Diretoria de Vigilância Ambiental, Epidemiológica, Zoonoses e Saúde do Trabalhador (Dvae) da Semsa, com base em dados dos núcleos de vigilância das unidades de saúde. A diretora da Dvae, enfermeira Marinélia Ferreira, afirmou que as equipes técnicas atuam desde as primeiras horas do incidente, seguindo protocolos de vigilância para orientar as decisões conforme a evolução do cenário.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) realizou sete remoções entre a tarde de quarta-feira e a tarde de quinta-feira, todas de pessoas que estavam próximas ao local do vazamento. As equipes seguem de prontidão para novos atendimentos, caso necessário.
Articulação com o Ministério da Saúde
A Semsa também mantém contato com o Ministério da Saúde, que acompanha a situação em Manaus. Em reunião virtual, técnicos da secretaria municipal apresentaram o cenário e as medidas adotadas até o momento para conter os riscos à população.
De acordo com Marinélia Ferreira, a secretaria trabalha desde o início do vazamento para orientar a população sobre cuidados de proteção, avaliar riscos conforme a situação evolui e garantir atendimento prioritário às pessoas expostas ao gás. A pasta também atua junto às unidades de saúde para assegurar o registro correto dos casos de intoxicação e monitorar, durante o período recomendado pelas normas sanitárias, grupos mais vulneráveis — como trabalhadores expostos, gestantes, crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas.
Duas notas técnicas foram elaboradas pela Semsa sobre o caso: uma produzida logo após o início do vazamento pelas equipes de vigilância epidemiológica, ambiental e da saúde do trabalhador, e um alerta de risco de intoxicação emitido pelo Cievs Manaus no dia seguinte à ocorrência. Ambos os documentos estão disponíveis no site da secretaria.
Orientações à população
Enquanto o vazamento na fábrica localizada na avenida Abbiurana, na 1ª etapa do Distrito Industrial, zona sul de Manaus, não for totalmente controlado, a Semsa recomenda que a população evite circular ou permanecer próxima às áreas industriais afetadas, respeitando bloqueios e orientações do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil e demais órgãos de segurança.
Quem perceber forte odor químico deve se afastar, preferencialmente na direção contrária ao deslocamento do odor. Motoristas devem manter os vidros fechados e desligar a entrada de ar externo do veículo. Moradores de áreas próximas ao vazamento devem fechar portas e janelas ao sentir o odor vindo de fora e desligar aparelhos que captam ar externo — a menos que o ar externo esteja mais limpo que o do ambiente interno, caso em que a ventilação é recomendada. Grupos mais vulneráveis, como crianças, gestantes, idosos e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas, devem ser retirados prioritariamente de locais com odor ou irritação.
Como o estireno é inflamável, a orientação também é evitar o uso de fósforos, isqueiros, velas ou outras fontes de chama em áreas com forte odor do produto.
Sintomas de alerta
A exposição a gases ou vapores químicos pode causar ardência, lacrimejamento ou vermelhidão nos olhos, irritação no nariz e na garganta, tosse, falta de ar, respiração acelerada, chiado no peito, dor de cabeça, tontura, fraqueza, náuseas, vômitos e, em casos mais graves, desmaio.
Segundo Marinélia Ferreira, alguns sintomas respiratórios podem surgir ou se agravar horas após a exposição, por isso é importante manter atenção a sinais como tosse persistente, chiado, cansaço ou dor no peito mesmo após melhora inicial.
Pessoas com sintomas leves e respiração normal devem buscar a unidade de saúde mais próxima, informando a possível exposição ao produto químico. Já quem apresentar falta de ar, alteração de consciência, dor no peito, desmaio ou piora rápida dos sintomas deve acionar imediatamente o Samu, pelo número 192.




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