Manaus/AM- O Ministério Público do Amazonas (MPAM) divulgou, nesta terça-feira (12), imagens que revelam a precariedade do antigo Núcleo Prisional da Polícia Militar, desativado após a transferência dos detentos para a nova Unidade Prisional da PM (UPPM/AM).
O cenário descrito pelo órgão é de abandono, com estruturas improvisadas e riscos iminentes tanto para presos quanto para os agentes de custódia.

O local, que foi classificado pelo promotor de Justiça Armando Gurgel como “totalmente disfuncional”, abrigava 71 policiais militares em um espaço projetado para apenas 30.
De acordo com a inspeção do MP, a carceragem consistia basicamente em um único grande cômodo compartilhado por todos os internos. No ambiente, foram constatados: mais que o dobro da capacidade permitida; beliches improvisados, colchões deteriorados e malas espalhadas pelo chão, presença de mofo, umidade excessiva e mau cheiro persistente; eletrodomésticos como fogão, freezer e geladeira eram divididos por dezenas de homens no mesmo espaço onde dormiam.

“Era um ambiente totalmente inadequado. O próprio local impedia a prestação de serviços básicos como atendimento médico, odontológico ou psicológico”, afirmou Gurgel.
Além da questão humanitária, o MP destacou que a arquitetura do prédio era um "obstáculo" à segurança pública. A unidade não possuía divisões seguras, corredores apropriados ou grades que permitissem o controle efetivo da massa carcerária.

Essa vulnerabilidade ficou evidente em fevereiro deste ano, quando 23 policiais militares fugiram do núcleo. Inspeções recentes também encontraram objetos perigosos, como facas, dentro da unidade. Segundo o promotor, os policiais que trabalhavam na guarda ficavam em situação de "extrema exposição" devido à falta de barreiras físicas.
A desativação do núcleo e a mudança para a nova unidade resultaram de uma ação conjunta entre o MPAM, a Polícia Militar e a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap). Para o Ministério Público, a transferência encerra um problema histórico e estrutural que colocava em xeque a dignidade humana e a disciplina da corporação.




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