Manaus amanheceu neste domingo, 11 de outubro, novamente encoberta pela fumaça. Quem esperava aproveitar a manhã para caminhar, correr ou pedalar precisou mudar os planos: as faixas liberadas tiveram sua programação suspensa, assim como outras atividades ao ar livre promovidas pela Prefeitura nos dias 11 e 12. Uma medida necessária para proteger a população, mas que revela uma situação preocupante: o ar que respiramos está limitando até os momentos de cuidado com a saúde.
Eu também pretendia sair para uma atividade física quando vi a notícia da suspensão. Ao olhar a cidade, tive a impressão de que a fumaça estava ainda mais intensa do que ontem. Adiei os planos, assim como tantas pessoas provavelmente fizeram. Um domingo que poderia ser de movimento, encontros e passeios em família começou com a preocupação de evitar a exposição.
O problema vai além da paisagem escondida. A fumaça das queimadas contém partículas muito pequenas, capazes de penetrar profundamente nos pulmões. Ardência nos olhos, irritação na garganta, tosse e falta de ar estão entre os possíveis efeitos. A exposição também pode agravar doenças respiratórias e aumentar os riscos cardiovasculares, especialmente em pessoas com doenças preexistentes. Crianças, idosos e gestantes precisam de atenção especial.
Nos últimos dias, a situação também levou à suspensão de aulas e de atividades presenciais em instituições de ensino. As consequências das queimadas no Amazonas chegam à capital, entram nas casas e alteram a rotina das famílias. A preocupação é ainda maior com quem trabalha nas ruas, espera pelo transporte público e não tem a possibilidade de permanecer em um ambiente protegido. Para essas pessoas, evitar a fumaça não depende apenas de uma decisão individual.
Enquanto a qualidade do ar estiver comprometida, acompanhar os alertas oficiais, reduzir a exposição e evitar exercícios ao ar livre são cuidados importantes. Quando for necessário sair, máscaras PFF2 ou N95 bem ajustadas ajudam a reduzir a inalação de partículas. Falta de ar ou dor no peito precisam de atendimento médico. Essas orientações devem chegar à população com clareza, acompanhadas de medidas que permitam colocá-las em prática.
A suspensão das atividades deste domingo é um alerta que precisa permanecer quando a fumaça passar. Prevenir as queimadas, fiscalizar e combater os incêndios exige um trabalho contínuo. Manaus não pode se acostumar a perder seus dias de lazer, suas aulas e sua tranquilidade por causa do ar. Abrir a janela, caminhar pela cidade e levar os filhos para brincar deveriam ser gestos simples, sem essa preocupação com cada respiração.
Andréa G. Ribeiro
Advogada • Cirurgiã-Dentista • Especialista em Direito Médico, Odontológico e da Saúde • Conselheira do CRO-AM • Membro da Comissão de Ética do CRO-AM • Membro da Comissão de Direito Odontológico Nacional da ABA • Membro da Comissão da Mulher em Odontologia do Conselho Federal de Odontologia (CFO) • Membro da ALACA • Dama Comendadora Grã-Cruz da CBC • Escritora
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