Quando antigas divergências cedem espaço a novas alianças, como está acontecendo agora no Amazonas, o eleitor tem o direito de conhecer as razões dessa aproximação.
"A política dos acordos" não perde legitimidade quando dialoga ou recompõe alianças. Perde quando essas mudanças deixam de ser acompanhadas de explicações claras sobre os compromissos que as motivaram.
Também é importante reconhecer um limite que nenhuma articulação política ultrapassa. Os votos obtidos no primeiro turno não pertencem aos candidatos, aos partidos nem às lideranças que anunciam apoio nesta nova etapa da eleição.
Pertencem exclusivamente ao eleitor, que permanece livre para reavaliar sua escolha diante das novas circunstâncias e decidir, segundo sua própria consciência, quem considera mais preparado para governar o Amazonas.
O segundo turno representa, portanto, mais do que uma nova disputa eleitoral. Representa um teste de maturidade política.
As alianças que agora se formam podem contribuir para a governabilidade futura, desde que sejam construídas com transparência e respeito ao eleitor.
Afinal, governos se sustentam por maiorias políticas, mas a legitimidade dessas maiorias continua nascendo, exclusivamente, da confiança depositada pelo cidadão nas urnas.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.
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