Há questões que, pela capacidade de influenciar o futuro econômico e social do Amazonas, inevitavelmente retornam ao debate eleitoral. Entre elas está a dificuldade de conciliar grandes projetos de desenvolvimento e proteção ambiental.
A cada novo empreendimento, ressurgem discussões sobre licenciamento, estudos de impacto e direitos de comunidades tradicionais, revelando um desafio que deixou de ser episódico para assumir caráter estrutural.
Não se trata de escolher entre desenvolvimento e preservação. O Amazonas concentra riquezas naturais estratégicas e, ao mesmo tempo, abriga responsabilidades socioambientais de dimensão global.
Essa realidade exige instituições capazes de produzir informações confiáveis, prevenir conflitos e estabelecer regras claras antes que as divergências sejam transferidas ao Poder Judiciário.
Os sucessivos embates em torno de grandes empreendimentos demonstram que a insegurança jurídica não interessa a ninguém. Comunidades buscam garantias para seus territórios e modos de vida; investidores reivindicam previsibilidade regulatória; e o poder público é constantemente chamado a equilibrar interesses legítimos, mas frequentemente tensionados.
O Amazonas precisa discutir qual estratégia adotará para compatibilizar proteção ambiental, direitos de populações tradicionais e aproveitamento sustentável de suas potencialidades econômicas. O debate não pode permanecer restrito aos tribunais nem ser reduzido a posições extremadas.
Em um Estado de dimensões continentais e enorme relevância ambiental, formular um modelo de desenvolvimento previsível e juridicamente seguro talvez seja um dos maiores desafios da próxima década.
As eleições de 2026 oferecem a oportunidade de discutir se o Amazonas continuará administrando esses conflitos de forma reativa ou se conseguirá construir uma política pública capaz de harmonizar preservação, segurança jurídica e desenvolvimento.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.



Aviso