Muitos dos problemas do Amazonas nascem dentro de suas fronteiras, mas as soluções dependem de decisões tomadas fora delas.
A fumaça que voltou a cobrir Manaus nesta semana evidencia essa realidade. O combate às queimadas, a proteção ambiental e o financiamento das políticas públicas ultrapassam as competências estaduais. O mesmo ocorre com a Zona Franca de Manaus, a BR-319, a segurança pública e a saúde. São desafios locais cujas soluções passam, em grande medida, por Brasília.
É nesse cenário que a disputa entre Omar Aziz e Maria do Carmo ganha outra dimensão. O próximo governador precisará representar o Amazonas diante de um Congresso renovado e de uma agenda nacional de reformas e ajustes fiscais. Há, contudo, uma circunstância relevante: Omar já representa o Estado no Senado, com mandato até 2030, e, caso permaneça naquela Casa, continuará participando das deliberações nacionais que envolvem interesses permanentes do Amazonas.
A fumaça desaparecerá com a mudança do tempo. Os problemas que ela revelou permanecerão. Enfrentá-los exige políticas permanentes, investimentos e planejamento, mas também força de interlocução nos espaços onde são definidos recursos, prioridades e decisões que afetam diretamente o Amazonas.
O segundo turno oferece, assim, a oportunidade de ampliar o debate. Mais do que escolher quem administrará o Estado, o eleitor deve considerar como cada candidatura pretende defender seus interesses em Brasília. Afinal, muitos dos problemas do Amazonas nascem dentro de suas fronteiras, mas suas soluções dependem de decisões tomadas fora delas.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.
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