O Amazonas vive o paradoxo de reunir extraordinárias riquezas naturais e, ao mesmo tempo, enfrentar dificuldades para convertê-las em oportunidades econômicas e melhoria das condições de vida de sua população.
Não raramente, projetos e investimentos esbarram em entraves e incertezas que deslocam o debate do desenvolvimento sustentável para a própria viabilidade de desenvolver .
Poucos temas sintetizam tão bem os desafios do Amazonas quanto a relação entre proteção ambiental e desenvolvimento econômico.
Em um Estado de dimensões continentais, de enormes dificuldades logísticas e ainda marcado pela dependência de transferências públicas, a discussão ambiental extrapolou há muito os limites da preservação da floresta.
Restrições ambientais passaram a influenciar diretamente a capacidade de atrair investimentos, gerar empregos, ampliar a infraestrutura e criar alternativas econômicas para o interior.
Ninguém questiona a necessidade de proteger a Amazônia. A floresta constitui patrimônio ambiental de importância global e sua conservação é questão de interesse público.
O problema surge quando a proteção deixa de ser instrumento de equilíbrio e passa a funcionar, na prática, como barreira quase intransponível ao desenvolvimento de uma região que também abriga milhões de brasileiros com legítimas aspirações de progresso.
O Amazonas vive o paradoxo de reunir extraordinárias riquezas naturais e, ao mesmo tempo, enfrentar dificuldades para convertê-las em oportunidades econômicas e melhoria das condições de vida de sua população.
O tema deve ocupar espaço relevante nas eleições de 2026.
Mais do que uma pauta ambiental, trata-se de uma discussão sobre o modelo de desenvolvimento pretendido para o Estado e sobre a capacidade de conciliar proteção da floresta, segurança jurídica e aproveitamento responsável de suas potencialidades.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.



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