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BR 319, verdades e mentiras

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Por Holanda
01/05/2026 23h03 — em Coluna do Holanda
  • Ao vincular o episódio da judicialização da rodovia à ministra Marina Silva, sob o argumento de que uma advogada, sua filha, teria atuação no caso, o senador Eduardo Braga deslocou-se do plano institucional para o das insinuações.
  • E mais: a própria advogada veio a público desmentir a informação, inclusive em redes sociais, o que acentua a necessidade de responsabilidade no uso da palavra por quem ocupa posição de autoridade.

A controvérsia em torno da BR-319 — com decisões judiciais que se sucederam, suspendendo e depois liberando as obras — recolocou no centro da agenda um impasse: como conciliar proteção ambiental e desenvolvimento em uma região que segue isolada e carente de soluções concretas?

Não se trata apenas de uma estrada, mas de um modelo de decisão sobre o futuro da Amazônia.

O senador Eduardo Braga passou a criticar o que chamou de “judicialização de obras estratégicas”.

A expressão comporta múltiplos sentidos: pode traduzir uma preocupação legítima com a interferência judicial em políticas públicas, mas também pode sugerir, se empregada de forma imprecisa, a tentativa de deslegitimar instrumentos legais de controle ambiental que integram o próprio Estado de Direito.

Quando a discussão se desloca para acusações frágeis — ainda mais quando desmentidas publicamente — perde-se o foco do essencial.

O ponto de inflexão não está na crítica — está no desvio do debate.

É preciso afirmar com clareza: há críticas consistentes à condução da política ambiental federal, inclusive pela percepção de um uso simbólico da Amazônia para obtenção de legitimidade internacional, muitas vezes dissociado das demandas concretas do Amazonas.

Esse debate é legítimo e necessário. Mas nenhuma divergência — por mais profunda que seja — autoriza a personalização do embate ou o rebaixamento do nível argumentativo.

A BR-319 simboliza um dilema que o país ainda não resolveu. Entre proteção e desenvolvimento, o que se espera é um debate técnico, sério e responsável.

Quando a discussão se desloca para acusações frágeis — ainda mais quando desmentidas publicamente — perde-se o foco do essencial.

No espaço republicano, divergências são naturais; a responsabilidade com os fatos, porém, não é opcional — é o mínimo que se exige.

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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