A disputa pelo governo do Amazonas revela um cenário equilibrado e sugere que a intensa exposição do atual chefe do Executivo ao confronto político não produziu, ao menos até agora, o efeito que muitos imaginavam: o desgaste natural de quem ocupa o governo. Ao contrário, Roberto Cidade avançou.
É o que revelam diversas pesquisas divulgadas nos últimos dias.
Quem administra o Estado chega à eleição em condição diferente dos adversários. Enquanto Omar Aziz apresenta sua experiência e suas propostas para retornar ao governo, Roberto Cidade submete diariamente sua gestão ao julgamento da população.
É sobre ele que recaem as cobranças pelas dificuldades enfrentadas pelo Amazonas, mas também é por meio de sua administração que o eleitor dispõe de elementos concretos para formar seu próprio juízo.
Campanhas eleitorais são espaços legítimos para críticas, divergências e fiscalização. O problema surge quando o debate deixa de privilegiar propostas e passa a concentrar esforços quase exclusivamente no desgaste pessoal ou político do adversário.
A experiência demonstra que o eleitor costuma distinguir a retórica da realidade e avaliar, com autonomia, aquilo que considera relevante para decidir seu voto.
À medida que a disputa se equilibra, cresce também a responsabilidade dos candidatos.
Mais do que responder a acusações ou explorar fragilidades alheias, cabe a cada um demonstrar capacidade para administrar um Estado marcado por desafios permanentes, como segurança pública, saúde, infraestrutura, integração regional, desenvolvimento econômico e preservação ambiental. É nesse terreno que a campanha tende a encontrar sua verdadeira dimensão.
Pesquisas registram momentos; não antecipam o resultado das urnas. Mas revelam, muitas vezes, que o eleitor não se limita ao calor dos embates e das acusações. No fim, permanece soberano o julgamento de quem, livremente, compara trajetórias, examina propostas e escolhe quem considera mais preparado para conduzir o futuro do Amazonas.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.
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