A democracia será maior se a disputa terminar sem deixar como herança a ideia de que metade do Amazonas precisa derrotar a outra metade para que alguém possa governar.
A campanha chega aos últimos dias depois de semanas em que quase tudo foi colocado diante do eleitor amazonense. Houve propostas, promessas, confrontos, acusações, decisões judiciais, pesquisas e uma intensa disputa pela atenção pública.
Agora, porém, aproxima-se o momento em que a política deixa de falar sozinha. No domingo, a palavra muda de mãos.
O Amazonas que chegará às urnas é o mesmo que continuará existindo nos dias que se seguirão a disputa do segundo turno. E depois. O sofrimento, as dificuldades, serão os mesmos. Continuarão os problemas da saúde no interior, os desafios da segurança pública, a necessidade de gerar empregos, proteger e modernizar a Zona Franca, melhorar educação e infraestrutura, enfrentar secas, queimadas e fumaça e aproximar os serviços públicos de uma população espalhada por um território imenso.
Nenhum resultado eleitoral fará esses problemas desaparecerem.
Por isso, esta eleição não deveria ser reduzida ao último ataque, à última denúncia ou ao episódio que dominar as redes sociais nas horas anteriores à votação.
Fiscalizar, denunciar e confrontar fazem parte da democracia. Mas acusação não é prova, defesa não significa culpa e adversário não precisa ser transformado em inimigo. Quanto mais grave a afirmação, maior deve ser a responsabilidade de quem a faz.
Também chegou a hora de olhar para as promessas com serenidade. Ao longo da campanha, os candidatos apresentaram caminhos para saúde, segurança, emprego, assistência social, desenvolvimento econômico e interiorização das políticas públicas.
A pergunta que permanece é simples: o que pode realmente ser executado, com quais recursos, em quanto tempo e com quais resultados? Governar começa justamente onde termina a facilidade do discurso.
Há ainda uma responsabilidade que pertence exclusivamente ao cidadão. Pesquisa registra um momento da disputa; campanha procura convencê-lo; alianças reúnem interesses políticos; candidatos apresentam suas próprias versões sobre o passado e o futuro.
Nenhum desses elementos substitui a decisão individual diante da urna. O voto não precisa reproduzir o barulho da campanha. Pode resultar da comparação entre propostas, trajetórias e compromissos assumidos publicamente.
Na segunda-feira, vencedores e derrotados continuarão vivendo no mesmo Estado. Famílias continuarão trabalhando, empresas abrindo as portas, hospitais atendendo, escolas recebendo alunos e municípios esperando soluções.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.
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