A nova ofensiva contra benefícios da Zona Franca de Manaus é mais um capítulo de uma história recorrente. Independentemente do resultado da ação, ela evidencia que o principal modelo econômico do Amazonas continua sujeito a disputas políticas e judiciais que periodicamente renovam incertezas sobre seu futuro.
Defender a Zona Franca continua sendo legítimo e necessário. O modelo possui amparo constitucional, gera empregos, arrecadação e contribui para a preservação da floresta ao oferecer uma alternativa econômica à exploração predatória. Mas nenhum Estado pode depender exclusivamente de um único vetor de desenvolvimento.
O desafio do Amazonas é ampliar sua agenda econômica. Infraestrutura, logística, bioeconomia, mineração sustentável, tecnologia, energia, turismo e inovação ainda estão muito abaixo do potencial que o Estado reúne. Transformar essas vocações em riqueza exige planejamento permanente e visão estratégica.
Mais do que responder a cada nova contestação judicial, o Amazonas precisa reduzir sua vulnerabilidade. Fortalecer a Zona Franca e construir novos pilares de desenvolvimento são objetivos complementares, capazes de tornar a economia estadual menos dependente das oscilações do cenário político e tributário nacional.
O futuro do Estado passa pela preservação da Zona Franca, mas não pode terminar nela. A competitividade duradoura dependerá também de infraestrutura moderna, logística eficiente, segurança jurídica e capacidade de transformar as potencialidades amazônicas em desenvolvimento sustentável e permanente.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.



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