A decisão da Justiça Eleitoral de retirar do ar uma plataforma de acusações contra Omar Aziz, a um dia do segundo turno, encerra mais um episódio de uma campanha marcada pela exploração de suspeitas infundadas e antigas.
Maria do Carmo insistiu nessa estratégia mesmo após sucessivas restrições judiciais à divulgação de conteúdos descontextualizados.
O resultado foi o deslocamento do debate sobre os problemas do Amazonas para controvérsias que pouco esclarecem o eleitor sobre o futuro do Estado.
Ao determinar a suspensão do site, a juíza Mônica Cristina Raposo da Câmara Chaves do Carmo apontou distorções de notícias, apresentação de investigações arquivadas como prova de culpa e atribuição de responsabilidades não demonstradas.
A decisão reafirma um limite essencial: a liberdade de crítica não autoriza transformar suspeitas em fatos. A gravidade das acusações exige rigor proporcional na apresentação das provas.
O episódio também revela uma deficiência política. Enquanto saúde, segurança, educação, emprego e infraestrutura exigem respostas, parte expressiva da disputa foi consumida por ataques pessoais.
A crítica ao passado administrativo é legítima e necessária, mas deve apoiar-se em fatos e resultados.
Quando cede lugar à exploração de acusações sem respaldo, deixa de contribuir para o julgamento público e passa a comprometer a qualidade da escolha eleitoral.
Omar Aziz tem uma trajetória no governo e no Senado que permite avaliar sua experiência, seus resultados e suas responsabilidades.
No domingo, os amazonenses decidirão quem governará o Estado. A escolha exige mais que indignação produzida pela propaganda.
Exige discernimento sobre a capacidade de administrar, negociar e enfrentar problemas que não se resolvem nas urnas, mas começam a ser enfrentados pela decisão tomada nelas.
Encerrada a campanha, restará distinguir o que cada candidato efetivamente ofereceu ao Amazonas do que tentou fazer o eleitor acreditar sobre o adversário.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.
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