A indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal chega ao Senado em um momento politicamente sensível.
Não é necessário o Senado dizer “não” ao indicado de Lula; basta não dizer nada. O silêncio também produz efeitos concretos.
Mas Messias quer falar e quer ser sabatinado, ainda que a um custo alto. A eventual recusa ao seu nome será mais um desgaste para o governo Lula. Entretanto, a aposta está feita.
Faltando pouco mais de seis meses para as eleições, a sabatina de Messias deixa de ser apenas um rito previsto na Constituição e passa a refletir, também, o ambiente político entre o Palácio do Planalto e a Casa Alta.
Em momentos assim, cada gesto institucional carrega um significado que vai além do nome indicado.
O ponto central não parece ser, ao menos neste primeiro momento, a capacidade técnica do escolhido. O que pesa é o cenário de tensão entre Executivo e Senado, marcado por resistências políticas já perceptíveis.
Em ano eleitoral, a política acelera alguns temas e desacelera outros, conforme a conveniência do momento.
É por isso que a indicação de Messias pode se transformar em algo maior do que uma escolha para o STF.
E pode se tornar símbolo do grau de diálogo — ou da falta dele — entre os Poderes em um ano decisivo para o país.
Na política, às vezes o que não se vota pesa tanto quanto aquilo que é votado. E, nesse caso, o silêncio do Senado também decide.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.



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