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O caso Benício e seus efeitos na atividade médica

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Por Holanda
07/05/2026 20h01 — em Coluna do Holanda
  • A suspensão cautelar da médica por 12 meses, determinada ainda no início do caso, revela o peso das consequências já impostas.
  • Não se trata de um detalhe. É uma medida que atinge diretamente a vida profissional, com efeitos imediatos e duradouros, ainda mais quando amplamente divulgada.
  • Justamente por isso, o que se espera não é apenas rapidez, mas qualidade na apuração

A medicina exige responsabilidade, mas também liberdade para agir — e essa liberdade não pode ser sufocada pelo medo. O exercício da profissão não pode ser guiado pelo receio, mas pelo compromisso de agir com responsabilidade e segurança para decidir.

O caso do menino Benício, agora, com o inquérito concluído e sob análise do Ministério Público, recoloca esse ponto em evidência. Passados cerca de cinco meses entre a morte e a conclusão do inquérito, espera-se uma apuração cuidadosa. Por isso, as ponderações da defesa da médica Juliana Brasil Santos — que apontam fatores capazes de influenciar o desfecho — merecem ser consideradas.

Espera-se coerência: o tempo que se teve para investigar deve ser o mesmo tempo concedido à reflexão.

Não basta concluir o processo — é preciso compreender. E compreender, em um caso como este, significa enfrentar com clareza todas as circunstâncias levantadas, inclusive aquelas que apontam para uma leitura diferente dos fatos.

Houve uma perda irreparável, e a dor da família é incontestável. Mas é justamente por isso que a resposta precisa ser construída com serenidade.

O caso envolve atendimentos sucessivos, intervenções posteriores e evolução clínica complexa. Simplificar esse cenário pode levar a conclusões que não se sustentam.

Há também um efeito que precisa ser observado. Se o ambiente passa a ser marcado pelo receio de decisões médicas serem interpretadas de forma ampliada, o profissional que deveria agir com decisão pode se tornar hesitante.

E, nesse espaço de dúvida, quem mais perde é a sociedade. Isso não afasta a necessidade de apuração de responsabilidades, mas exige distinguir com clareza a natureza da conduta.

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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