Insinuação não é o mesmo que verdade factual
A disputa entre Omar Aziz e Maria do Carmo, tem reservado espaço considerável ao confronto pessoal e à exploração de episódios do passado. Na propaganda da candidata, o recurso a acusações contra o adversário suscita uma questão que merece atenção: a responsabilidade de apresentar fatos com o contexto necessário à sua compreensão. A crítica política é legítima, inclusive quando severa. O que não se pode admitir como método é a substituição do esclarecimento pela insinuação.
Acusações fundamentadas merecem esclarecimento; divergências políticas exigem debate. Nenhuma dessas obrigações se cumpre pela simples repetição de suspeitas ou pela exploração de ambiguidades.
Uma campanha não está obrigada a poupar adversários nem a esconder acontecimentos relevantes de suas trajetórias. Está, porém, sujeita a um dever elementar de precisão.
A seleção de informações, a omissão de circunstâncias essenciais e a associação de acontecimentos distintos podem produzir interpretações que não correspondem à realidade dos fatos.
O eleitor tem o direito de conhecer o passado de quem pretende governá-lo, mas não deve ser levado a julgá-lo por uma narrativa que dispense o contexto.
Essa responsabilidade é ainda maior quando a sociedade já convive com dificuldades persistentes na saúde, na segurança, na educação e na infraestrutura.
O segundo turno deveria permitir o exame de propostas, compromissos e capacidades administrativas.
O confronto eleitoral não precisa ser ameno, mas deve conservar alguma utilidade pública.
A responsabilidade de quem pretende exercer o poder começa pela maneira como procura conquistá-lo.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.
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