Ataques pessoais, acusações, tentativas de desqualificar o adversário e disputas que rapidamente se deslocam das propostas para o confronto ocupam espaço que poderia ser usado para discutir aquilo que efetivamente alcança a vida das pessoas. E o eleitor está ficando cansado e irritado.
A política amazonense acumulou promessas, programas interrompidos, obras inacabadas e escândalos ao longo de diferentes governos.
Não se trata de atribuir essa história a um único grupo, mas de reconhecer que o Estado pouco ganha quando cada nova disputa repete os mesmos métodos e posterga os mesmos problemas.
O eleitor não precisa apenas saber quem critica melhor o adversário, mas quem demonstra capacidade para compreender essas dificuldades e apresentar caminhos possíveis para enfrentá-las.
As eleições deste ano poderiam oferecer algo melhor. Adversários continuarão divergindo, como é próprio da democracia, mas o interesse público exige que a disputa volte ao terreno das soluções.
O eleitor não escolherá apenas entre nomes; escolherá quem receberá a responsabilidade de cuidar de problemas que permanecerão muito depois que o barulho da campanha terminar.
E você está cansando de saber disso: a cada eleição, mudam os candidatos, as alianças e os discursos, mas certas práticas parecem sobreviver ao tempo.
O Amazonas, como o país, não deveria precisar esperar outra eleição para perceber que essa repetição cobra um preço social muito alto e difícil de ser digerido pela sociedade.
Há problemas que não pertencem a partido algum. Saúde, saneamento, segurança, emprego, educação, clima, infraestrutura e desigualdade continuarão existindo depois que as urnas fecharem.
Na saúde, por exemplo, discutir hospitais é necessário, mas não suficiente. Prevenção, atenção básica, saneamento, acesso a profissionais e condições de atendimento no interior fazem parte da mesma realidade.
O mesmo ocorre com eventos climáticos, que já alcançam abastecimento, mobilidade, moradia e saúde. São temas menos ruidosos do que uma acusação eleitoral, mas muito mais próximos da vida cotidiana.
Também seria útil que as propostas viessem acompanhadas de prioridades, custos e meios de execução.
O eleitor não escolherá apenas entre nomes; escolherá quem receberá a responsabilidade de cuidar de problemas que permanecerão muito depois que o barulho da campanha terminar.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.



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