O resultado da auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União, constatando que o ex-presidente Bolsonaro recebeu 129 presentes de autoridades estrangeiras e não os entregou ao acervo público configura desvio, mas na prática mostra a incapacidade do ex-presidente de separar público do privado.
Chamem Bolsonaro do que quiserem, mas vejo nisso tudo despreparo. Um erro escusável. Fica muito claro que pensava, equivocadamente, que os presentes recebidos de autoridades estrangeiras foram conferidos a ele e que podia usá-los como bem entendesse.
Um comportamento pueril, primário, que está na base da formação do ex-presidente, que deu motivos de sobra durante o exercício conturbado de seu governo para ser interditado, privado da autoridade que exercia, por absoluta falta de preparo para representar o povo brasileiro.
Para piorar, tinha gente despreparada nos principais cargos do governo e o mau hábito de não ouvir ninguém. A única figura inteligente era o então ministro Paulo Guedes…
Seu comportamento durante a epidemia de covid, instando a população a não se vacinar, dizendo que o imunizante podia transformar as pessoas em jacaré, entre outras atitudes doentias, até o favorece no momento em que se aponta deslizes que só ocorreram porque a Câmara dos Deputados foi omissa, ao engavetar dezenas de pedidos de impeachment.
Bolsonaro não sabia que se apropriar de presentes recebidos de autoridades estrangeiras era ilegal. Somente agora se deu conta que estava errado… Agora, por absoluta falta de informação e prudência, pode até ser preso.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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