O horário eleitoral começou com ataques entre candidatos justamente no dia em que uma decisão da Justiça Federal colocou diante do Amazonas um debate bem maior: o controle da Mineração Taboca por um grupo chinês. De um lado, acusações sobre o passado. Do outro, uma questão concreta sobre o futuro do Estado.
Críticas fazem parte da eleição. Quem governou deve responder pelo que fez, e quem pretende governar precisa enfrentar o contraditório. Mas uma campanha para Governo, Senado e Câmara Federal não pode se limitar à troca de denúncias enquanto decisões estratégicas sobre riquezas, território e desenvolvimento passam ao largo do debate.
A sentença sobre a Taboca não deu salvo-conduto para exploração de terras ou minerais. Apenas afastou a tese de que a mudança do controle acionário da empresa exigiria, por si só, autorização do Congresso. A discussão política, porém, permanece inteira: qual deve ser o papel do Amazonas diante do avanço estrangeiro sobre ativos minerais estratégicos?
É essa resposta que os candidatos precisam oferecer. O mesmo vale para BR-319, Zona Franca, infraestrutura, produção no interior, energia e novas alternativas econômicas. Não basta dizer quem errou no passado. É preciso explicar o que fazer daqui para frente.
Até outubro, o eleitor ouvirá muitos ataques. Mas a eleição será mais útil ao Amazonas se obrigar os candidatos a responder uma pergunta simples: qual Estado pretendem construir com as riquezas que o Amazonas já possui?
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.



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