Examinar a trajetória de quem pretende governar o Amazonas é legítimo e necessário. Outra coisa, como faz a campanha de Maria do Carmo, é apresentar fatos de maneira a produzir impressões sem o contexto indispensável à sua compreensão.
Distorções, informações dúbias e acusações sem respaldo nos fatos não podem ser admitidas como instrumentos legítimos de campanha, sobretudo nesta reta final, quando o eleitor dispõe de menos tempo para confrontar versões e esclarecer dúvidas.
A repetição de uma acusação não a transforma em verdade, assim como a gravidade de uma suspeita não dispensa sua demonstração. Maria erra ao apostar na desconstrução do adversário e deixar de verbalizar o que mais o eleitor espera dela: propostas, um plano de governo que até agora ela não apresentou.
O momento exige menos empenho em desacreditar o adversário e maior disposição para assumir compromissos verificáveis. O eleitor precisa conhecer não apenas as razões de cada candidatura para conquistar o poder, mas o que pretende fazer com ele.
Quem tem pretensão de governar não pode fazer da acusação um substituto das propostas, nem da dúvida lançada sobre o adversário uma estratégia permanente de convencimento.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.
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