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O que os candidatos ao governo têm a ver com mobilidade urbana?

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Por Holanda
17/06/2026 22h50 — em Coluna do Holanda
  • As eleições de 2026 talvez não transformem o transporte coletivo em tema central da disputa pelo Governo do Amazonas. Nem precisam fazê-lo. Mas ignorar a mobilidade urbana de Manaus seria desprezar uma questão que afeta diariamente centenas de milhares de pessoas e interfere diretamente na competitividade da capital e no desenvolvimento do Estado

Entre os muitos temas que deverão ocupar o debate das eleições de 2026 no Amazonas, alguns surgem de forma quase automática, como saúde, segurança pública, geração de empregos e infraestrutura. Outros, embora menos lembrados à primeira vista, também merecem espaço por sua capacidade de influenciar diretamente a vida cotidiana de centenas de milhares de pessoas. O transporte coletivo urbano está entre eles.


À primeira vista, o transporte coletivo parece uma pauta mais adequada às eleições municipais. Afinal, a operação dos ônibus, os itinerários, os terminais e a gestão cotidiana do sistema são atribuições da Prefeitura de Manaus. Mas a questão não se encerra aí.

Manaus concentra mais da metade da população do Amazonas e exerce papel central na economia, nos serviços e nas oportunidades de trabalho do Estado. Quando a mobilidade da capital funciona mal, os efeitos ultrapassam os limites administrativos do município.

Horas perdidas em deslocamentos, dificuldades de acesso ao emprego, à educação e aos serviços públicos e o aumento dos custos urbanos acabam produzindo reflexos econômicos e sociais que alcançam todo o Amazonas.

A discussão sobre transporte público não deve se restringir ao número de ônibus em circulação ou ao valor da tarifa. Trata-se também de uma discussão sobre produtividade, qualidade de vida e desenvolvimento.

Uma metrópole que se movimenta de forma ineficiente impõe custos silenciosos à economia e reduz o tempo que as pessoas poderiam dedicar ao trabalho, ao estudo, ao convívio familiar e ao descanso.


O debate nacional sobre novas formas de financiamento do transporte coletivo torna a questão ainda mais relevante. Durante décadas, o sistema brasileiro foi sustentado quase exclusivamente pela tarifa paga pelo usuário, modelo que produziu dificuldades conhecidas: aumento de custos, perda de passageiros e permanente pressão sobre a qualidade do serviço.

A busca por alternativas de financiamento e por soluções estruturais para a mobilidade urbana interessa não apenas aos gestores municipais, mas a todos os níveis de governo.

As eleições de 2026 talvez não transformem o transporte coletivo em tema central da disputa pelo Governo do Amazonas. Nem precisam fazê-lo.

Ignorar a mobilidade urbana de Manaus seria desprezar uma questão que afeta diariamente centenas de milhares de pessoas e interfere diretamente na competitividade da capital e no desenvolvimento do Estado.


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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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