O caso Master torna inevitável uma pergunta: Vorcaro era o centro de um esquema encerrado em si mesmo ou apenas uma peça de uma estrutura de interesses muito maior?
A cada nova revelação, a segunda hipótese ganha relevância como questão a ser investigada.
Vorcaro aparece cercado de autoridades, intermediários e personagens com trânsito nos centros de poder.
Surgem encontros, mensagens, pedidos e relações que atravessam fronteiras institucionais.
Até a imagem de Vorcaro entre uísques e charutos ganha outro significado. O problema não está no charuto nem no copo. Está na proximidade que um banqueiro sob investigação conseguiu estabelecer com personagens que ocupavam posições relevantes na República.
A pergunta mais importante, portanto, talvez já não seja apenas quem era Daniel Vorcaro, mas para quem o Master era útil.
Quem recorria ao banco,
quem fazia negócios com ele, quem recebia seus pedidos e quem era procurado quando os problemas começaram a chegar.
É seguindo essas relações — e não presumindo previamente a culpa de seus personagens — que a investigação poderá revelar se Vorcaro comandava sozinho o que aconteceu ou se servia a uma engrenagem muito maior.
Por isso seria igualmente equivocado transformar Vorcaro no personagem capaz de encerrar sozinho o caso Master. Se as provas alcançarem outras autoridades, empresários, magistrados ou agentes públicos, devem alcançá-los com a mesma força.
Não seria justiça procurar um culpado suficiente quando os fatos eventualmente demonstrarem responsabilidades maiores.
O caso Master talvez esteja apenas começando a mostrar seu verdadeiro tamanho. E quanto mais ele cresce, menos importante se torna a figura isolada de Daniel Vorcaro.
O desafio agora é descobrir quem estava ao redor dele, quais relações eram legítimas, quais ultrapassaram essa fronteira e, principalmente, se o Master era apenas o banco de Vorcaro ou instrumento financeiro de interesses muito maiores.
Cada autoridade citada tem direito de explicar sua relação e nenhuma pode ser condenada pela fotografia de um encontro. Mas a sociedade também tem o direito de perguntar como Vorcaro alcançou tamanho trânsito.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.
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