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Políticos tornaram Manaus refém da concessionária de água

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Por Holanda
06/06/2026 23h40 — em Coluna do Holanda
  • A população de Manaus aceita pagar quando sente que está recebendo algo em troca. O que gera desconforto não é apenas o valor da fatura de água. É a constatação de que a conta chega antes do serviço. E, mesmo sabendo que está sendo lesada, especialmente na cobrança da taxa de esgoto, é obrigada a pagar em razão de normas e aditivos em contrato de uma concessão cheia de vícios.

Quem mora em Manaus sabe que água e esgoto não são assuntos que aparecem apenas na fatura do fim do mês. São temas que fazem parte da rotina das famílias, dos condomínios, dos bairros e das conversas de quem, muitas vezes, convive com interrupções, vazamentos, obras demoradas ou dificuldades que afetam diretamente a vida cotidiana.

O que mais incomoda o manauara não é o valor da conta, mas a persistente sensação de que a qualidade dos serviços oferecidos pela "Águas de Manaus" ainda está aquém daquilo que a população espera e merece.

Por isso, causa estranheza a ideia de pagar por algo que não está sendo utilizado.

Para o cidadão comum, a lógica costuma ser simples: se usou, paga; se não usou, procura entender por que está pagando.

Não se trata de rejeitar responsabilidades ou deixar de contribuir para a manutenção dos serviços. Trata-se apenas de uma percepção natural de justiça.

É verdade que manter uma rede de saneamento exige investimentos permanentes. Há equipamentos, equipes, manutenção e uma estrutura complexa funcionando todos os dias.

A questão é que os manauaras costumam avaliar um serviço pela experiência que tem com ele, e não pelos relatórios ou pelas explicações técnicas que o acompanham.

O problema é que a conta chega todos os meses. O serviço percebido, nem sempre. Quando isso acontece, cresce a sensação de desequilíbrio.

O cidadão passa a enxergar a cobrança como algo concreto e imediato, enquanto os benefícios parecem distantes ou insuficientes para justificar o peso que recai sobre o orçamento familiar.

Nenhuma cidade consegue avançar sem saneamento. Essa é uma realidade indiscutível. Mas também é verdade que a confiança da população depende da capacidade de perceber melhorias reais naquilo que lhe é oferecido. Quanto maior a cobrança, maior tende a ser a expectativa por resultados visíveis e consistentes.

No fim das contas, talvez a questão seja menos sobre números e mais sobre percepção.

A população de Manaus aceita pagar quando sente que está recebendo algo em troca. O que gera desconforto não é apenas o valor da fatura de água. É a constatação de que a conta chega antes do serviço.

Mesmo sabendo que estão sendo lesados, os manauaras são obrigados a pagar uma conta extorsiva - em razão de normas e aditivos feitos na medida por políticos irresponsáveis e empresários em busca de lucro fácil .

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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