Campanha não deveria ser apenas a arte de demonstrar por que o adversário não serve, mas também a obrigação de explicar o que se pretende fazer caso o voto popular conceda o poder.
O eleitor precisa saber como cada candidato pretende enfrentar problemas que não desaparecerão depois das urnas.
Precisa conhecer metas, prioridades, fontes de recursos e compromissos possíveis de serem cobrados durante o mandato.
Mas o horário eleitoral no Amazonas está se transformando, em boa parte, numa arena de acusações entre candidatos.
Em vez de ocupar esse espaço para apresentar soluções aos problemas que afetam a população, campanhas têm dedicado tempo precioso a ataques e respostas, enquanto propostas concretas, quando aparecem, acabam diluídas em meio às ofensas. E isso ocorre justamente em um espaço criado para permitir ao eleitor conhecer projetos, prioridades e compromissos de quem pretende governar o Estado.
O chamado horário eleitoral gratuito também merece ser compreendido além do nome. Gratuito é o acesso das candidaturas ao rádio e à televisão; as emissoras têm direito a compensação fiscal pela cessão desse espaço. Portanto, há interesse público envolvido.
É razoável esperar que um instrumento sustentado por regras e recursos públicos sirva, principalmente, para oferecer ao cidadão elementos que permitam comparar propostas, prioridades e caminhos para o Amazonas.
A crítica faz parte da democracia. Governos precisam ter seus erros apontados, candidatos devem responder por seus atos e biografias públicas estão naturalmente submetidas ao debate.
O problema surge quando a crítica deixa de esclarecer diferenças e passa apenas a alimentar a desqualificação pessoal. Nesse ambiente, até as propostas eventualmente apresentadas correm o risco de desaparecer sob o volume das acusações.
E são justamente as propostas que deveriam ganhar nitidez neste momento.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.
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