Universidades sempre foram ambientes de debate político. Isso não é novidade. O que parece ter aumentado foi a dificuldade de aceitar a presença de quem pensa diferente.
Universidades devem continuar sendo espaços de debate, pensamento crítico e pluralidade. Mas pluralidade exige convivência com opiniões divergentes.
O embate gera mais repercussão do que a moderação; a reação emocional alcança mais pessoas do que o diálogo; e o vídeo da discussão muitas vezes recebe mais atenção do que qualquer tentativa de entendimento.
Parte da esquerda universitária passou a enxergar setores conservadores como ameaça ao espaço acadêmico. Já parcelas da direita passaram a ver universidades públicas como ambientes fechados ao pensamento conservador.
O resultado é um ciclo em que um lado reforça a desconfiança do outro, transformando divergências políticas em confrontos constantes.
O episódio também trouxe outro debate importante: até onde vai a atuação de um vereador dentro de uma universidade federal?
Embora parlamentares tenham liberdade política e função fiscalizatória, essa atuação não é ilimitada, especialmente em instituições que possuem autonomia garantida pela Constituição.
O próprio ambiente universitário também passa a ser questionado quando manifestações políticas transmitem ideia de exclusão ou intolerância contra quem pensa diferente.
Agentes políticos também precisam compreender que instituições acadêmicas possuem autonomia e dinâmica próprias.
Quando o diálogo é substituído pelo confronto permanente, todos perdem um pouco da capacidade de ouvir — e as instituições começam a perder sua função de convivência democrática.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.




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