Fiscalizar é legítimo. Responder com transparência também. Omar Aziz tem o direito de questionar; Roberto Cidade, o direito de se defender e o dever de esclarecer, como aliás o fez. Nenhum dos dois precisa ser diminuído para que o outro seja reconhecido.

Eleições produzem adversários, não inimigos — e o interesse público ganha quando denúncias, respostas e apurações permanecem acima das conveniências da campanha.
Há ainda uma circunstância que ajuda a colocar o confronto em perspectiva. Omar e Cidade, hoje adversários, já estiveram politicamente próximos, e Cidade apoiou Omar na eleição para o Senado.
A disputa pelo governo os colocou em lados diferentes, como tantas vezes ocorre na política. Isso não deveria apagar o respeito entre trajetórias nem transformar divergência eleitoral em hostilidade pessoal.
O papel de quem está na oposição ou disputa o governo também passa pela fiscalização. Se um candidato identifica fatos que considera relevantes, tem o direito — e até a responsabilidade — de questioná-los e encaminhá-los às instituições competentes. Omar seguiu esse caminho ao anunciar que levaria suas suspeitas aos órgãos de controle.
Do lado do governo, Cidade adotou uma providência igualmente importante ao suspender o procedimento antes de qualquer avanço da possível contratação. A decisão não confirma irregularidade, mas evita que uma dúvida relevante permaneça sem resposta administrativa.
Ao abrir espaço para análise externa, o governo também permite que eventual improcedência das acusações seja esclarecida pelas mesmas instituições que poderiam confirmar qualquer problema.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.



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