Os relatos de estudantes que comprometem salários, atrasam mensalidades e até abandonam a faculdade por causa das apostas on-line revelam um problema que já não pode ser tratado apenas como questão individual.
Quando o jogo passa a interferir na educação, na saúde mental e no planejamento financeiro de milhares de jovens, o tema deixa de ser privado e passa a interessar à sociedade.
A expansão das plataformas digitais trouxe oportunidades, mas também novos riscos.
A promessa do ganho rápido tem alcançado justamente uma geração que ainda constrói seu futuro profissional e financeiro. O resultado aparece nas famílias, nas escolas e nas universidades, onde crescem os relatos de endividamento, ansiedade e evasão escolar associados às apostas eletrônicas.
O debate também precisa chegar às eleições. Educação não se resume à construção de escolas nem à ampliação de vagas. Formar cidadãos preparados para administrar dinheiro, compreender riscos e fazer escolhas responsáveis tornou-se parte da política pública.
Da mesma forma que o Estado investe em alfabetização, saúde e qualificação profissional, precisa fortalecer a educação financeira, a prevenção às dependências e o apoio à saúde mental dos jovens.
Essa é uma discussão que ultrapassa uma geração. Os estudantes de hoje serão os trabalhadores, empreendedores, gestores públicos e aposentados de amanhã. Quanto mais sólida for sua formação, menor será o impacto social de problemas que, se ignorados agora, poderão comprometer o desenvolvimento econômico e a qualidade de vida nas próximas décadas.
As apostas on-line continuarão existindo. O desafio não é apenas regulamentá-las, mas preparar a sociedade para conviver com elas de forma consciente. Se a campanha eleitoral pretende discutir o futuro do Amazonas e do Brasil, esse também deve ser um de seus temas. Investir na juventude continua sendo a forma mais segura de investir no futuro.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.




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