O Amazonas enfrenta desafios históricos no combate ao crime organizado. Fronteiras extensas, narcotráfico, crimes patrimoniais e violência exigem inteligência, investigação, integração entre as forças de segurança e investimentos permanentes. Esses problemas são reais e precisam ser enfrentados com planejamento, continuidade e resultados.
Nenhum indicador estatístico fala por si. Mas afirmar que o recuo dos assassinatos decorre da interrupção das disputas entre facções e da consolidação de seu domínio sobre comunidades é uma conclusão apressada e sem lastro em fatos. Essa ausência de embasamento técnico causa enorme repercussão para a segurança pública.
Se quem faz essa afirmação dispõe de elementos que a sustentem, eles devem ser levados às autoridades competentes para apuração. Sem essa demonstração, a hipótese não pode ser apresentada como conclusão extraída das estatísticas.
Estatísticas oficiais são instrumentos para orientar políticas públicas, não para sustentar conclusões apressadas. O debate sobre segurança pública deve ser guiado por evidências, e não por inferências apresentadas.
Dados oficiais não podem ser convertidos em narrativas capazes de desacreditar instituições, ampliar a sensação de insegurança ou alimentar o temor da população sem o devido respaldo técnico.
Afinal, a violência é um problema complexo demais para servir à disputa política. A sociedade precisa de diagnósticos consistentes, capazes de orientar políticas públicas eficazes e soluções concretas.
É preciso reconhecer que a segurança pública não se resume ao governante de ocasião. Ela depende do trabalho diário de policiais militares, policiais civis, peritos, investigadores, profissionais de inteligência e demais servidores que enfrentam a criminalidade, muitas vezes com limitações estruturais.
Cobrar eficiência é um dever da sociedade. Defender um debate sério, baseado em fatos, evidências e soluções, é igualmente indispensável para o fortalecimento das instituições e da democracia.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.



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