Relatório da Anatel divulgado em julho de 2026, que mapeia o programa de expansão de redes de telecomunicações da agência, identificou 30.031 localidades e 652 municípios no Brasil sem obrigação de operadora para levar fibra óptica até a região, infraestrutura conhecida como backhaul e usada para sustentar conexões de internet mais rápidas e estáveis. Minas Gerais concentra sozinho 186 desses municípios, a maior quantidade entre os estados citados no levantamento, enquanto a região Nordeste reúne cerca de 40% dos municípios afetados no país.
O mesmo levantamento da Anatel contabilizou ainda cerca de 26,4 mil localidades remotas sem cobertura de 4G e sem obrigação regulatória que force uma operadora a instalar antenas ali. A situação é mais grave em aldeias indígenas: apenas 16% delas atingem o patamar de cobertura de 4G considerado adequado pela agência, e 2,5 mil aldeias no país precisam de expansão de rede, segundo o órgão.
Não ter backhaul de fibra não significa necessariamente ficar sem internet, mas costuma resultar em conexões mais lentas, mais caras ou mais instáveis, já que a operadora depende de outras tecnologias, como rádio ou satélite, para levar o sinal até o município. Para moradores do interior de Minas Gerais nessa situação, isso se traduz em mais dificuldade para dar aula on-line, participar de reunião de trabalho por vídeo ou vender produtos pela internet com regularidade.
A Anatel afirma que pretende usar o mapeamento para priorizar investimentos públicos e privados nas localidades identificadas, dentro dos programas de expansão de rede em curso, mas não detalhou, no material consultado, um cronograma de prazos por município.



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