BRASÍLIA - O presidente Michel Temer montou uma operação com partidos do chamado centrão de modificar a configuração da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ), para tentar garantir os votos contra a denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. A partir desta segunda-feira, partidos farão um troca-troca na CCJ de seus titulares. Segundo aliados, o PR, por exemplo, mudará quatro de seus cinco titulares, para ter votos a favor de Temer.
A senha das negociações é: "é para votar com Temer", sem entrar no mérito do parecer do deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ). Desde a última quinta-feira, é essa pergunta que líderes aliados a Temer fazem a seus deputados, já contando com um parecer desfavorável de Zveiter. O Solidariedade já promoveu trocas, assim como o PSD e até o PMDB, que colocou o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) como titular. Marun é da tropa de choque de Temer.
O líder do PMDB na Câmara, deputado Baleia Rossi (SP), disse ao governo que todos os integrantes do partido na comissão votarão com Temer, incluindo o ex-ministro Osmar Serraglio (PMDB-PR), que saiu magoado do governo, e a deputada Soraya (PMDB-RJ).
Temer se reuniu com Valdemar da Costa Neto, que comanda o PR, e ele lhe garantiu os cinco votos do partido na comissão. Mas a necessidade de trocar quatro de cinco mostra como a situação está difícil para o governo.
O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse a interlocutores que todos os membros do partido votarão com Temer. Maia tem ficado descontente, nos bastidores, com as declarações do líder do partido na Câmara, deputado Efraim Filho (PB ), abertamente já num cenário com afastamento de Temer. Para Maia, que seria o beneficiado, é hora de falar menos.
Na base aliada, são Efraim e o líder do PP na Câmara, Arthur Lira (AL), têm dado as declarações mais reticentes sobre um apoio ainda a Temer,

