BRASÍLIA - Integrantes da base aliada reforçaram nesta terça-feira o discurso de que uma segunda denúncia a ser apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot está comprometida pelos acontecimentos envolvendo o processo de delação da JBS. Os parlamentares aliados preparam nos bastidores uma ofensiva contra a JBS. A CPI Mista da JBS foi instalada hoje. O pedido de criação foi lido na semana passada, sem alarde, em sessão do Congresso que discutia a revisão da meta fiscal.
Em jantar na residência do presidente em exercício, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), na noite de segunda-feira, o clima era de constatação de que Janot se fragilizou ao admitir que há omissões gravíssimas no acordo de delação com os donos da JBS, conforme mostrou o site de O GLOBO. Nesta terça-feira, parlamentares reforçaram tal discurso.
O deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP) disse que Janot não deveria nem apresentar a segunda denúncia.
— Se Janot apresentar a denúncia, será desmoralizado. Ele não tem condições de fazer uma denúncia — disse Paulo Pereira da Silva.
Na noite de segunda-feira, no jantar, parlamentares avaliaram que Janot acabou se desgastando ao ter que anunciar que investigaria problemas no processo de delação fechado com os donos e executivos da JBS. O caso Janot foi comentado durante jantar na residência de Rodrigo Maia, segundo participantes do encontro. A avaliação foi de que Janot precisou fazer um movimento diante das informações de que as omissões no caso envolviam o ex-procurador Marcelo Muller, que atuou ao seu lado antes de atuar como advogado em caso da JBS.
— Ele teve que se antecipar, mesmo a contragosto, para não ser desmoralizado depois, na gestão de Raquel Dodge à frente da PGR — disse um parlamentar.
Mesmo crítico ao governo, o deputado Miro Teixeira (Rede-RJ) admitiu que na Câmara Temer terá maioria em plenário, como da primeira vez. Mas Miro defende a correção de Janot, afirmando que ele agora deve anular o acordo e pedir a prisão preventiva de Joesley Batista e indisponibilidade dos bens do empresário.
— Janot, numa postura muito séria, deve revogar o acordo, pedir prisão preventiva e a indisponibilidade dos bens. Mas, na Câmara, o presidente Michel Temer vence — disse Miro.

