A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou na quinta-feira, 12, um informe de segurança sobre os riscos de complicações associadas ao uso inadequado de preenchedores dérmicos, como a hidroxiapatita de cálcio, o ácido hialurônico, o poli-L-ácido lático (PLLA) e produtos à base de polimetilmetacrilato (PMMA).
Segundo Carolina Haddad, dermatologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a realização de procedimentos injetáveis com finalidade estética tem crescido de forma constante no Brasil. "Infelizmente, também vemos mais técnicas e aplicações fora do que é preconizado, o que abre espaço para riscos e complicações. Muitos desses procedimentos são feitos por profissionais não habilitados ou despreparados para essas práticas", informa.
"Esse tipo de alerta é extremamente importante, principalmente nessa era em que as complicações se tornam mais comuns", acrescenta.
Riscos
Em comunicado, a Anvisa afirma que a aplicação de preenchedores "em regiões anatômicas não indicadas e em quantidades não previstas nas instruções de uso dos produtos, conforme as especificações estabelecidas pelos fabricantes, pode causar danos à saúde com consequências clínicas incapacitantes ou de difícil manejo."
Segundo Carolina, os riscos vão desde problemas estéticos, como assimetrias, até complicações mais graves. Entre elas estão as obstruções vasculares, que podem provocar problemas neurológicos e até perda de visão.
A Anvisa também menciona relatos de embolia pulmonar associados a esses procedimentos. Além disso, há registros de complicações sistêmicas, como inflamação granulomatosa (um tipo crônico de resposta do sistema imunológico), níveis elevados de cálcio no sangue, formação de cálculos renais e insuficiência renal que pode exigir hemodiálise.
Recomendações
A Anvisa destaca que os preenchedores só podem ser comercializados quando possuem registro junto à agência. Por isso, é indispensável verificar se o produto está devidamente regularizado, se o serviço possui autorização para funcionar e se o profissional responsável tem qualificação para realizar o procedimento. A consulta pode ser feita no próprio site da agência .
Carolina alerta que clínicas irregulares costumam oferecer serviços por valores muito abaixo do mercado, diluem os produtos de forma não adequada e não possuem conhecimento técnico para a aplicação. Além disso, não estão preparadas para lidarem com eventuais complicações.
Por isso, a agência recomenda buscar a orientação de um profissional de saúde antes de iniciar o plano de tratamento. A agência ainda orienta que, antes de realizar o procedimento, é importante verificar as regiões do corpo e os volumes permitidos para aplicação, conforme descrito nas instruções de uso do produto.
Caso surja qualquer sinal ou sintoma que indique uma possível complicação, a orientação é procurar uma assistência profissional qualificada.
Se houver suspeita de evento adverso relacionado ao uso do produto, o caso pode ser notificado à Anvisa. Já denúncias sobre produtos irregulares, empresas não licenciadas ou divulgação e comercialização para usos não autorizados podem ser registradas no sistema Fala.BR, da Ouvidoria.

