Aos 17 anos, a estudante Clara Alycia Germano, moradora do bairro Mondubim, em Fortaleza, entrou para a lista dos dez jovens brasileiros aprovados no AFS Global STEM Academies 2026, iniciativa internacional que oferece formação em ciência, tecnologia, engenharia e matemática para adolescentes de 15 a 17 anos. A aprovação, confirmada em fevereiro, garantiu à cearense uma imersão na China realizada entre 8 de julho e 5 de agosto.
Aluna do IFCE Campus Maracanaú, escola técnica pública, Clara construiu um currículo pouco comum para a idade. Ela passou por iniciação científica, disputou competições de foguetes, integrou uma equipe de robótica montada na própria escola e participou de um projeto da Embaixada dos Estados Unidos voltado a meninas de diferentes regiões do país, no qual as equipes precisavam propor soluções sustentáveis para problemas reais. Também acumula medalhas de ouro e prata na Olimpíada Brasileira de Geografia, além de participações na Olimpíada Brasileira de Astronomia e em competições de ciências humanas e educação financeira.
Na China, o programa reuniu adolescentes de mais de 15 países em atividades ligadas à inovação, à transição energética e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Entre os desafios propostos, um exercício de engenharia pedia às equipes que fizessem um ovo chegar ao chão sem se quebrar, usando o mínimo de material possível e acertando um alvo. Foi nesse período, segundo a jovem, que a indecisão sobre o futuro profissional se dissolveu: ela decidiu que vai cursar Engenharia Mecânica. A viagem também incluiu visitas a pontos históricos do país, entre eles a Muralha da China.
De volta ao Ceará, Clara diz querer servir de exemplo para que outros estudantes nordestinos disputem vagas em programas internacionais e recomenda que ninguém desista antes de tentar. O AFS Global STEM Academies concede bolsas integrais, combina etapas virtuais com a experiência presencial e entrega aos participantes uma certificação em competência global desenvolvida com a Universidade da Pensilvânia. Desde 2012, mais de 150 brasileiros já passaram pela iniciativa, que soma mais de mil jovens contemplados no mundo.




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