O tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo Geraldo Leite Rosa Neto voltou a negar que tenha matado a esposa, a soldado Gisele Alves Santana, durante um interrogatório que durou mais de oito horas. Trechos do depoimento foram exibidos pelo Fantástico , da TV Globo, no domingo (11).
Réu por feminicídio e fraude processual, o oficial sustenta que Gisele morreu por suicídio. A versão, no entanto, é contestada por laudos periciais que apontam incompatibilidades entre essa hipótese e os vestígios encontrados no apartamento onde a policial foi baleada, em fevereiro deste ano.
Durante o depoimento, Geraldo Neto questionou conclusões dos investigadores e afirmou que elementos da cena do crime teriam sido alterados. Um dos pontos discutidos foi a posição de uma árvore de Natal na sala, que, segundo a reprodução simulada, dificultaria a visão do local onde a vítima foi encontrada.
O caso também envolve mensagens recuperadas do celular de Gisele que indicariam conflitos no relacionamento e a intenção dela de se separar. O tenente-coronel contestou parte do conteúdo e negou as acusações relacionadas ao histórico do casal.
Gisele, de 32 anos, foi encontrada com um tiro na cabeça no apartamento em que vivia com o marido, na Barra Funda, zona oeste de São Paulo. Desde o início, o oficial afirma que a esposa teria atirado contra si mesma.
Três análises periciais contestam essa versão. Um laudo complementar apontou que a posição dos vestígios e outros elementos técnicos seriam incompatíveis com a hipótese de suicídio.
Preso preventivamente desde março, Geraldo Neto teve a liberdade solicitada pela defesa, mas o Ministério Público se posicionou contra a soltura. Após a conclusão das manifestações das partes, a Justiça deverá decidir se há elementos suficientes para submetê-lo a julgamento pelo Tribunal do Júri.
O tenente-coronel nega as acusações, e a decisão sobre eventual julgamento ainda cabe à Justiça.
Aviso